segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

FÉRIAS!!!!!!

Nas últimas semanas, minha vida ficou, como em todo final de semestre, "o INFERNO": parece que tudo se concentra nos últimos dias... Provas, corrigir as mesmas, reuniões em que todo mundo parece ter enlouquecido e fala, fala, fala, arrumando encrencas infinitas, problemas de última hora a serem resolvidos... enfim, o que não rolou nos meses anteriores rola, concentrado em poucos dias.
Tudo bem. Sobrevive-se. Mas, é claro, tempo para escrever coisas inúteis & supérfluas não sobra muito...
E agora, bom, agora, chega o Natal.
Eu vou fugir. Não vão ouvir de mim para as próximas duas semanas. De jeito e maneira nenhuma pretendo ligar o computador. Melhor ainda: desligarei o celular. Nem telefone, vou atender.
E nada de visitas natalinas, viu?
VOU SUMIR MESMO... e até voltar, saibam que estarei enfrentando lugares selvagens, cheios de animais esquisitos: ME VOY A GALÁPAGOS, para fugir na carapuça de uma tartaruga gigante, em companhia de ANA, a IGUANA!
Sério, gente, me esqueçam até 2010, Natal vai ser no barco, nada de jantares de família!
Com isso, me despeço nessa virada de ano, desejando a todos, mas todos mesmo, que as coisas melhorem em 2010, que tudo dê certo para nós, e que eu possa ganhar dinheiro, muito dinheiro!
Um abraço, até lá!
Fada de Preto (edição 2009... ainda!)

domingo, 29 de novembro de 2009

ODE ON A MODERN PLAY STATION.


Oh, é o seguinte: descobri uma coisa muito legal com 40 anos, uma coisa que mudou radicalmente minha ideia sobre jovens & adolescantes.
Comprei uma Play Station e já viciei. Como disse um amigo meu, "agora para sair dessa só com crack". Meu mundo mudou. Minha percepção de realidade que engloba as noções de tempo e espaço foram radicalmente modificadas. Joguei uma parte de um jogo ambientado em Springfield, e me tornei Homer Simpson e Burt Simpson, tentando desvendar o mistério das entradas, subidas e descidas do Fantástico Mundo de Chocolate, à cata do Coelho Branco Metido, para encher o bicho de porradas, pulei em cima de um dinossauro em um grande museu, e parei só quando fiquei enroscada na sala da astronomia. Como não tenho o cartão de memória, na próxima jogada terei que começar tudo de novo.Depois, entrei no mundo de Hogwarths, cavalguei uma vassoura em alta velocidade, fiz um monte de poções esquisitas e completei o game, tirando muita satisfação do meu tempo gasto em manipular mágicas.

Moral da história: uma coisa é falar de todas essas tecnologias, uma coisa é ser usuário.
Engana-se quem pensa que todo jogo é só uma perda de tempo. A maioria dos jogos pede, no mínimo, concentração, memória e coordenação de movimentos. Quando não de habilidades estratégicas. Estou doida para jogar um jogo de desastres, terremotos & inundações, que já vi que no nível básico tem que sair de uma ponte altíssima sobre o mar, no meio dos escombros de trens.
O fato é que a VR te suga mesmo, é uma delícia correr atrás do fantasma de Nick sem cabeça, misturar ingredientes escusos para as poções, aprender os feitiços, voar.

Eu não me senti alienada. Não mais do que uma pessoa que resolve se dedicar à reconstruir um quebra cabeça: concentrado, atento, eventualmente colaborativo: penso nas pessoas que, eventualmente, ajudam.
Bom, sou muito boa em poções, acerto na primeira até as mais difíceis. Também no Quiddich não sou nada mal!

Próximo passo: descobrir as maravilhas do E-Book, que me mostraram um e o objeto quase teve um curto circuito, de tanto que babei nele!
Os E-Books vão substituir os livros impressos? Não, eu não acho. Nada substitui o prazer de um livro com sua capa e cheiro de cola, que já dizem muito sobre a qualidade do impresso. Não, na beira de um rio, na praia, no banheiro quero mesmo é papel. Mas o que o E-Book me permite fazer é... bom, é diferente, é uma outra leitura que eu quero experimentar e saborear, assim como estou saboreando (e curtindo à beça) minha PS2 desbloqueada, com um mundo 3D que, confesso, me seduz ao ponto de eu ficar babaquinha!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O QUE FIZ: MOMENTO AUTOBIOGRÁFICO.


Desde criança gostava de ler: com dez anos era fã da detetive Nancy Drew e dos Pimlico Boys: policiais infantis. Por outro lado, gostava também de Tom Sawyer, Huck Finn e Alice no país das maravilhas. Meus problemas datam dessa época, acredito: de um lado, lia ficção de massa, do outro, literatura infantil canônica. Gostava das duas, mas crescendo as coisas pioraram: lia, ao mesmo tempo, Dickens e Stephen King. Já dizia Hugo de São Vítor que algo acontece, sempre, quando se lê. No mínimo, se aprende a ler. Por isso, como leitora e, por acasos do destino, estudiosa de livros e leitores, aprendi que é errado julgar um livro pela capa. Quando cheguei ao Brasil, há alguns anos, precisava aprender, e rapidamente, a língua.

Sou indisciplinada o suficiente para não agüentar cursos de língua: com fastio penso nas tediosas sessões de “Bom dia, boa tarde, meu nome é...” das aulas de língua, Lembrei-me de como meu inglês “cresceu” durante minha estadia em Amsterdam, com uma bolsa de estudo para estudar latim: já tinha que entender uma língua morta e enterrada e não consegui aprender Holandês. Meu inglês, porém, ficou enriquecido: todos falam a língua, portanto podia me comunicar. Só que falavam inglês bom, e eu precisava estar a altura. Resultado: resolvi ler em inglês. Primeiramente, escolhi livros bem de massa, tipo policiais ou histórias de fantasy sabendo que a linguagem frequentemente pobre não ia me enlouquecer por não entende-la. E, no meu tempo livre, fui lendo.

Não parei, hoje enfrento sem dificuldade Dickens ou outros autores mais “clássicos”, poderíamos dizer. Aqui no Brasil, segui a mesma trajetória: comecei com literatura bem simples e de vocabulário pobre, Paulo Coelho, para ser exata. Também, ao mesmo tempo, lia literatura não ficcional para meu doutorado. Uma tese sobre modernismo brasileiro, que me “arrastou”, já na época, pelo mau caminho da leitura dos documentos literários, ao invés de me dedicar aos estudos teórico e às pesquisas existentes sobre essa literatura.

Não parei e não vou parar de ler “bobagens”, pois elas são altamente reveladoras dos públicos leitores e, vivendo no mundo atual, me permitem algumas referências comparativas com outros públicos. Considero-me privilegiada por conhecer alguns autores considerados canônicos, e desejaria que mais pessoas os encontrassem sem intermediações. Desde os vinte e cinco anos meu work in progress é a leitura integral da obra de Zola, autor que pertence ao “cânone” literário universal, mas de sua obra se encontram poucos títulos traduzidos com facilidade.

Ainda, me cimentei com Dostoievskij: comecei pela história de Natalia Niesvanova, pois sabia que havia “rumores” sobre a relação homossexual da protagonista com a princesa Marina, mas queria saber mais. Li Crime e Castigo, com o qual ri sozinha no meu lar e do qual marquei páginas e páginas com anotações. Aos poucos, fui me interessando cada vez mais no desenlace do encontro entre o “cânone universal” e a literatura lusófona. Deparei-me com o século XIX, de Eça de Queiroz para o litoral brasileiro, encontrando Júlio Ribeiro, Aluisio de Azevedo, Adolfo Caminha.

Cada vez mais preciso saber o que está impresso na obra citada em determinado artigo ou livro. Se não fizer isso, me sinto como se estivesse falando do que não sei e nunca vi, sempre às ordens da palavra alheia, à qual confiro por obrigação uma autoridade acadêmica. Mas, mais medieval do que nunca, reconheço essa autoridade somente no ato de minha apropriação da leitura: não somente concordando com o crítico ou estudioso, mas também discordando dele, ato tão profundamente acadêmico quanto mais embasado na leitura e no estudo.

sábado, 14 de novembro de 2009

SOBRE O SEXO DAS ESCOVAS DE DENTES.



Vi uma publicidade de uma escova de dentes da Colgate.

Já que estou envolvida na elaboração de um ensaio acadêmico de máxima & absoluta seriedade, era óbvio que minha cabeça ficasse divagando, perdida atrás do simbolismo de duas escovas dentais conversando tranquilamente na tela de minha TV.

Já está assumido que é normal ver escovas de dentes falantes.

Isso é preocupante?

O que me assusta destas duas escovas de dentes animadas é que elas não estão atuando como duas personagens infanto-juvenis, mas para um público adulto.

E meu ensaio acadêmico hiper-mega-ultra profundo & erudito sobre a memória do passado, do presente e do futuro foi definitivamente derrotado pelo interesse em mim suscitado pelas duas escovas de dentes.

Oh, tempos de costumes ingratos, onde ao severo trabalho do erudito se substitui assombrosa a peça publicitária mais escrotinha dos últimos tempos!!! Reparem, aqui, como parece de verdade meu desespero em relação ao ensaio derrotado por novos & BEM mais dignos temas...

A publicidade em questão é escrotinha porque me ofende em dois pontos, sem que reparemos muito sobre o porque, enquanto a alegre paleta de cores escolhida para essa animação de poucos segundos nos remete às cores de brinquedos infantis:

1) No tratamento infantil reservado aos compradores do produto que, pela conversa explícita, tão crianças não se imagina que sejam.

2) Nos estereótipos sexistas que as duas escovas engendram.

A publicidade: duas escovas, uma vermelha, mais baixa, com formas no cabo que remetem a um corpo com curvas, voz feminina, dá uma cantada barata na segunda escova, branca com pontos de cor, mais... “ereta”, voz masculina. Uma escova “varonil”. Se inclinando para a escova macho, a escovinha vermelha, que chamarei de RED, aproxima seu busto e começa e tecer elogios das virtudes atribuídas ao macho de plástico falante, que chamarei NERD. Esse estranho espécime químico/plástico, o Nerd responde, com efeito com voz de nerd, mostrando a “solidez” da fama, explicando que, sim, ele limpa e protege muito, mas muito mais cuidadosamente contra as bactérias. Enquanto isso, na tela se pode apreciar o movimento de “cuidadosa limpeza & higienização” de uma cavidade oral. A “peça” se encerra com a afirmação da escovinha sexy RED de que ele realmente alcança todos os pontos...

ATÉ CHEGAR LÁ, ONDE NENHUM HOMEM JAMAIS ESTEVE?????

Ora, pois. Ora, pois.

Espera-se que a animação, com essa “carga erótica” embutida não fora pensada com o objetivo de alcançar um público infanto-juvenil.

Seria, aqui, redundante, explicar que um tipo de publicidade assim é sexista na medida em que, para lá o jogo de paquera, saudável atividade, as duas escovas codificam “mitos” sobre forças e fragilidades.

A escovinha Red é uma pequena mulher de plástico enfaixada por um vestido vermelho, que não remete exatamente a um ambiente de escritório. Ela desloca seu “rostinho” de cerdas, talvez traindo a idade acima dos 40, não é voz de menina, e suas cerdas estão um pouco gastas.

Pobre sexy Red, que já se dispõe à resposta mais Nerd de todas, enfastiante, sem brilho, digna de um engenheiro acostumado ao lado prático das coisas, ela olhando com seus olhinhos azuis para frente e para cima, enquanto o amigão Nerd, em sua altura melhor, acaba dando uma espiadela nos peitinho da plástica Red, ele, que deve ter passado boa parte da sua vida lidando com máus álitos, barriguinha, futebol & cerveja (Nerd também não é mocinho...). Nerd explica o que sabe fazer. Sem poesia. Do alto de sua “hombridade”.

Não estou brincando, essa publicidade é de um sexismo incrível, e se for para gente “adulta”, me poupem da metáfora e coloquem atores em carne e osso, que meu cérebro derrete, na frente dessa meleca animada.

Claro: dessa maneira a Colgate fixou seu produto em alguém. Não em mim, pois não lembro do nome do Nerd.

Não quero um mundo politicamente correto, mas estou um pouco entediada pelo fato de não me reconhecer nas representações que de certas idéias do feminino bem marcadas por aí.

Quero dizer, se a publicidade é a representação de sonhos e desejos de consumo mais ou menos induzidos,

O QUE ACONTECE COM AS PRIVADAS????

Quero dizer, contem o numero de vezes que passam publicidades em que mulheres desesperadas recebem visitas inesperadas em seus lares. Pode ser uma verdadeira equipe de fiscalização televisiva vestida de jalecos brancos ou uma atriz, ou a criança da vizinha que resolveu atualizar o dito sobre a grama do vizinho que é sempre mais verde pela versão o banheiro da vizinha é sempre mais limpo.

Todas essas visitas são acompanhadas por um pedido assaz estranho: posso ver seu banheiro/sua privada? Eis a primeira estranheza: POR QUE toda essa gente quer “ver” a privada, que já se tornou, assim, lugar de sociabilidade extrema?

A resposta não é simples: os banheiros dessas pobres mulheres são imundos, fedem, precisa de escafandro de proteção, para se aproximar deles... Por que cargas de água toda essa gente tem esse desejo perverso????

REALMENTE OS GÊNIOS DA PUBLICIDADE SÃO TÃO ALIENADOS QUE ACREDITAM QUE MEU SONHO DE CONSUMO DEVE SER OBTER A PRIVADA MAIS LIMPA DA HISTÓRIA?

O QUE SE GANHA, COM ISSO? ALGUM NOBEL?

E, principalmente, a dúvida:

POR QUE NENHUM HOMEM ESTÁ ENVOLVIDO NA TAREFA DE ENCONTRAR

UM PARAÍSO

NA PRIVADA?

Volto ao meu ensaio erudito...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ANHANGUERA MON AMOUR: É PARAÍBA!

Há pouca literatura de viagem escrita por mulheres. Para falar a verdade, só me vêm à cabeça dois nomes, o de Vita Sackville-West, quando conta de sua viagem e estadia na Pérsia (que não escreve exatamente crônicas de viagem, é um relato um pouco romanceado) e o de Annemarie Schwartzenbach, uma viajante suiça da década de 1930, amiga dos filhos de Thomas Mann, Klaus e Érica, com os quais viaja pela Europa. Sozinha, porém, enfrenta o Oriente Médio e o Afghanistão em suas andança, assim como o sul (pobre) dos EUA durante a depressão, aquele sul imortalizado na literatura por Carson McCullers, que por ela se apaixonou. Conhecida por sua vida desregrada, regada a alcool e drogas, Annemarie morreu (pasmem!) depois de uma queda de bicicleta na nativa Suiça, em 1942.
Com certeza há outras autoras por aí, mas que eu saiba, nenhum alcança, nos últimos 70 anos, um status de autora de literatura de viagem comparável, sei lá, à fama de um Bruce Chatwin o de um William Least-Heatmoon. A produção masculina desse gênero literário é, sem dúvida alguma, muito mais ampla e rica, doutada de um corpus literário de bem outra espessura.
Virgeinia Woolf, em seu clássico A room of her own afirma a grande limitação da falta de um espaço (intelectual, mas fisicamente real) dentro do lar onde as mulheres produzissem a salvo das interferências externas familiares e domésticas.
Eu quero, aqui, colocar o reconhecimento de outra limitação dada ao corpos das mulheres: o limite do espaço externo, exterior como redução da possibilidade de viagem, como possibilidade da qual as mulheres têm sido sistematicamente limitadas.
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Limitadas no tempo e no espaço, limitadas com afinco, uma limitação que continua limitando seus passos. São muitos, muitos mesmos, os espaços e os lugares negados às mulheres, nos territórios onde os viajantes transitam somente quando são homens (ou seja: de sexo masculino).
Boa parte do mundo, até hoje, rejeita a ideia, quando não a simples hipótese, de mulheres que se deslocam sozinhas pelo mundo, sem a "proteção" de um homem, seja pai, irmão, filho ou marido. A viagem legítima, para uma mulher, é a viagem com uma meta, uma razão. A viagem pela viagem, a viagem pelo prazer de viajar por esse mundo curioso, não lhe pertence.
Proibições evidentes são as interdições a espaços religiosos ou públicos em muitas partes do mundo. Menos evidentes são as limitações que ela enfrenta em países onde a teoria a vê como sujeito, mas ainda assim ela é socialmente objeto.
Foi nisso, que pensei, nesses dias que passei em João Pessoa, enquanto tentava conciliar meu desejo de andar por aí descobrindo, sozinha, a cidade e suas praias, com as necessidades de um congresso. Sou caxias, o congresso ganhou, e eu só tenho algumas imagens e poucas impressões verbais, que não passam da síntese de um guia de viagem ou de uma brochura turística...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PARADOXOS & ABSURDOS DAS LEIS DA BÍBLIA...


Sei que discutir de assuntos religiosos é um tema bem delicado, mas ando muito confusa, com as pessoas que fazem declarações sobre o que é "moralmente" certo ou errado, com base em uma seleção de trechos bíblicos que, cada dia mais, me parece aleatório.
Explico: condenações contra as minorias homossexuais, por exemplo, são frequentemente fundamentadas no LEVÍTICO, 18:22, que afirma que relações dessa natureza são abomináveis. Daí, vamos justificar discriminações, violências & tudo que é necessário para erradicar esse "mal", vamos internar em clínicas pseudo-psiquiátricas quem sofre desse "mal", vamos impedir que essas pessoas tenham cidadania plena no mundo...
O que não entendo, todavia, é de que maneira se deve agir em relação a outros trechos bíblicos relativos a LEIS & NORMAS que estão no mesmo lugar, a Bíblia, e que todo mundo rejeita como absurdas, ninguém sonha mais em aceitar.
Quero entender: com base no que algumas coisas são aceitas e confiáveis na Bíblia e outras não? Ou tudo ou nada, minha gente, e com base nisso, vou, aqui, expor minhas dúvidas sobre condutas & leis específicas que um bom crente deveria seguir. Aceito conselhos e sugestões sobre como aplica-las. Por favor, me ajudem:

1) Se alguém tem uma filha e quisesse vende-la como escrava, como se encontra em Êxodo, 21:7, onde se encontra o melhor valor de mercado?
2) Quando queimo no altar do sacrifício um touro, sei, pelo Levítico (1;9) que isso produz um cheiro que agrada as narinas do Senhor. O problema, porém, surge com os vizinhos, os quais reclamam que, para as narinas deles, o cheiro é desagradável. O que devo fazer? Espancar esses infiéis?
3) Lê-se, em Levítico 15: 19-24, que só se deve manter relações sexuais com uma mulher não menstruada. Como devem agir os homens, considerando que não é uma pergunta que a maioria das mulheres gosta de responder pois, em geral, é um pouco ofensiva?
4) Sempre Levítico, 25:44, afirma que tenho direito de possuir escravos, tanto mulheres como homens, desde que adquiridos em terras estrangeiras. Considerando minha posição de estrangeira por aqui, estou cheia de dúvidas em relação às minhas opções: posso comprar escravos argentinos, ou os acordos do Mercosul inviabilizam essa opção? Teoricamente, poderia adquirir escravos alemães, mas isso não seria condizente com minhas origens européias, pois na União Européia (da qual sou cidadã) eles não seriam mais exatamente de uma terra estrangeira. Alguém poderia me ajudar com esse dilema?
5) Tem gente que insiste em trabalhar aos sábados. Ora pois, sabemos muito bem que isso é pra lá de proibido, a ponto que em Éxodo, 35:2 se diz, claramente, que quem faz isso deve ser punido com a morte. Pergunto: estou moralmente obrigada a matar esses trabalhadores pessoalmente, ou posso delegar essa tarefa (sei lá, aos meus escravos de não sei onde?). Posso realizar a tarefa aos sábados ou, enquanto LEI, devo considerar a tarefa como trabalho e esperar aos domingos?
6) Um conhecido meu tem a sensação de que se, de um lado, comer lagostas, camarões e outros frutos do mar é um ato abominável (Levítico, 11:10), por outro lado é MENOS abominável do que as práticas homossexuais. Discordo, e acredito que os vendedores de caranguejos da paraíba deveriam ser punidos com grande rigor. Alguém pode me iluminar sobre como fazer?
7) LAST, but not LEAST, em Levítico, 21:20, proibi-se aos que têm defeitos da visão de se aproximar do altar de Deus. Considerando que fui míope por muitos anos, e que o defeito foi corrigido cirurgicamente (não, portanto, MANU DEI), como devo me comportar, para não infringir essa lei?

Então, gente, qual é o critério para aceitar as palavras bíblicas, o que nos convém? Aquilo que OUTROS decidem sem maiores explicações como CERTO e ERRADO?
Vamos parar com toda essa hipocrisia?
A FdP hoje, resolveu mesmo ser chata, viu?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

FOLHETIM: JOGOS INSENSATOS (cap.3)


E começa um jogo que B não sabe se e quanto sabe jogar, é como pisar em areias movediças e é notório que areias movediças não são gelatina colorida para crianças.

B senta na frente de A, sobre um banquinho baixo, as pernas abertas, e começa a provocá-la, perguntando o que ela quer.

Errado.

Não é assim que A quer que B jogue. Então, A intima B para tirar a roupa. Não a toca. Sentada, só a olha. B está nua na frente de A, nua e crua como a verdade, sem disfarce algum, e quer baixar seus olhos. Mas já não é tempo para pudores, falsos ou verdadeiros que sejam. Escolher brincadeiras assim impõe uma manutenção pouco comum das emoções. Será B uma trepidante donzela desamparada? Não, jamais! B resolve bancar a mulher vivida e sem vergonha. A olha para B, em silêncio, bebendo mais um pouco de vinho, depois a leva para o quarto. Explicando que agora vai amarra-la. Vai amarra-la e tampar sua boca. B vai ficar em seu poder. Não conseguirá se soltar, não conseguirá falar. Enfim, tudo bem, já que estão nesse ponto, continuam em frente, certo? B confessa a si mesma que não, não se sente particularmente excitada, está mais é curiosa. Em silêncio, A pesca de alguma gaveta um emaranhado de cordas. Aos olhos de B, parecem quilômetros de cordas. Muitas cordas mesmo. B começa a pensar que vai ficar que nem um roast-beef inglês, com todas essas cordas. Claro, pensa B, e depois vai me temperar e por no forno. B já não consegue mais levar o evento muito a sério. Sua bagagem literária refreia uma risada. Na verdade, B não sabe muito bem até que ponto A se dedique realmente a essa estranhas práticas ditas sadomasô. B considera que não deve ser muito experiente. A tal de experiência literária avisa B que se encontra no meio de uma brincadeira decadente, e não em um romance erótico do século XVIII. Enquanto isso, A já a prendeu, e B não consegue se mexer. Nem falar. Nem se desamarrar. A levanta, diz que está com sede, e deixa B deitada, sozinha debaixo de uma luz bem pouco aconchegante. Volta e começa a acaricia-la. B se sente estúpida. Por traz de tanta cenografia, olha o que encontrou: um sexo baunilha da pior espécie! B fica parada, nem saberia como reagir, ainda bem que está amordaçada, assim a risada não pode sair, ainda que tudo isso não passe de uma grande bobagem, não há razão para ofender A em seus gostos e preferências. Que, definitivamente, não são os de B.

Sexo baunilha com uma mulher amarrada desse jeito, fala sério! Vai ver algo transparece do olhar de B, de sua postura. Não demora muito, A também desiste. Começa a desamarrar B, os olhos baixos, um incômodo evidente nas palavras que saem de sua boca, meio atropeladas. Escuta, diz A, acho que não vai dar certo. Acho, diz, que é melhor deixar pra lá, você é uma mulher inteligente, e é melhor ficar por isso mesmo. B levanta, se veste e, em cinco minutos, já está do outro lado da porta, rumo ao carro dela.

Enquanto dirige, aliviada, para casa, B pensa na ingenuidade desse mundo, na ingenuidade de A, na curiosidade mais que satisfeita.

Pensa naquela tatuagem com o nome de C, marcando para sempre aquele braço e começa a rir, a rir, sozinha, noite adentro.

THE END!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

FOLHETIM: JOGOS INSENSATOS (cap.2)


Meia hora depois estão no lugar de A, um apartamento aconchegante. B, sentada no carpete, sinal de disponibilidade e submissão: está mais embaixo. A se senta no sofá, descalça.

A, safada, saca espelhinho, cartão de crédito, enrola uma nota de dez e mostra que tem nariz poderoso com o tempero. O aplomb de B é total, enquanto aguarda sua vez. O papo flui legal, livros, filmes, tudo que permite driblar os pedregulhos das intimidades, desagradáveis percalços no caminho da diversão.

Duas taças de vinho depois, doze litros de água depois, destemperando os resultados das atividades das membranas olfativas na fumaça downer de um matinho fragrante e perfumado, A encara B de frente.

Diz, faz tempo que quero te perguntar: topa um sexo sadomasô comigo? Sabe, penso nisso quando estou com C e quando estou sozinha, e estou cansada de pensar. Quero saber como seria com alguém como você

B consegue manter o rosto imperturbável. Como se todos os dias enfrentasse situações do gênero. Sim, claro, pensa B, levanto toda manhã, sabendo que vou encontrar meninas que vão me perguntar: hei, você, topa um sexo sadomasô?

Hã.

Claro. E o que, exatamente, significa: “alguém como você”? Como assim, como ela?

Claro o cacete, há muito nem sequer B recebe propostas de beijo na boca, que sexo sadomasô que nada! Quero dizer: não é a proposta que provoca um bloqueio à altura do diafragma, que se não tomar cuidado, B engasga e cai, fulminada, mas disfarça com o mesmo aplomb acima citado.

Até parece, que B é ingênua, quando vê uma moça cheia de piercings e tatuagens. O problema do susto é, com efeito, a tatuagem com o nome de C no braço. Por que cargas de água, se pergunta B, alguém que tatua o nome da namorada no braço vem me fazer uma proposta dessa?

Melhor não perguntar, evitando, assim, o risco de respostas indesejadas.

B sorri um sorriso de serial killer e enfia a cara na taça de vinho, ganhando tempo.

Oh, dúvida cruel! Topar e poder ficar com A, essa mulher maravilhosa em uma situação escabrosa, ou se negar e ficar só com água na boca? A carne é fraca, bem se sabe, e é fundamentalmente verdadeira aquela frase da sábia amiga D, que diz que “puxa mais um pentelho do que uma parelha de bois”.

B muda para um sorriso que espera sedutor, e fala com sua melhor voz roca que: sim, claro que topa.

sábado, 3 de outubro de 2009

FOLHETIM: JOGOS INSENSATOS (cap.1)

INTRODUÇÃO:

A ficção, mais uma vez, me espanta & me encanta.

Escrevi mais um conto, e testei se funcionava, literariamente falando, propondo sua leitura a várias pessoas amigas.

Mais uma vez, a FdP recebeu perguntas desnecessárias (já que avisei tratar-se de um conto, de ficção pura e simples, de invenção, de produto de fantasia) sobre o quanto constava de verdadeiro nele.

Resultado: estou preocupada com o que será de minha reputação “publicando” essa INVENÇÃO no Blog.

Por outro lado, porém, declaro-me muito satisfeita em perceber o poder de VERACIDADE de meus impulsos literários: com efeito, a curiosidade um pouco “perversa” das perguntas recebidas me faz pensar que não está mal escrito, se todos os leitores, até agora, ficaram na dúvida sobre alguém realmente ter vivido essa historinha...

Gente, é sério, nada de pensar que um conto, que nem chega a ser erótico, seja mais verdadeiro do que, sei lá, “O senhor dos anéis”, em que todos os machos se matam para botar um dedo no anel (no filme todos têm mãos sujas e unhas quebradas... Nojentinhos...), somente porque ambientado em lugares que poderiam ser nossas casas ou porque algumas situações são plausíveis...

FUI CLARA? Fiction is fiction, e não aceito censuras, pois

QUANDO EU CRESCER, SEREI UMA ESCRITORA CAPAZ DE VIVER DE SUA ESCRITA!

CONFESSO: Um pouco fiquei brava, com essa “abordagem” de leitores querendo saber quem é quem e quem fez o que... se esse conto estivesse em um livro com escrito na capa “contos” ninguém ficaria me atazanando...

JOGOS INSENSATOS (cap. 1)

Eu gosto, disse A, de torta quente de maçã com sorvete.

Eu não, respondeu B. Gosto deles separados: torta de maçã de um lado, e sundae do outro.

Por que separados? Pergunta A.

Para que desenvolvam ao máximo suas potencialidades antes de se juntarem em mim, responde B.

A ama C. B se finge solidária, bancando a cruel. Mesmo porque parece tudo uma grande brincadeirinha. B faz santinhos, rezando pelas palavras abandonadas e os livros abandonados. Reza para que C não caiba no dia nem na noite de A.

B está entre a Maga Patológica e Cassandra, a Infausta, enquanto dispensa conselhos sentimentais baratos e oferece seu ombro desnudo para as lagrimas de crocodilo que despontam nos olhos de A. Finge ficar fora do caminho, com a evidente má vontade de quem não tem a menor intenção de ficar de fora do caminho. De regra, B não gosta de mexer com quem se apresenta “em forma de casal”. Mas A está dando um mole danado para B, e B está em abstinência há um tempão. Não é que, pelo fato de trabalhar com as palavras, arranjando-as para ganhar seu pão, a carne de B tenha sumido. As palavras são, para B, tudo. O que seria de B, sem palavras? O alfabeto é uma máquina com menos de trinta sons que, combinados, compreendem o universo inteiro e determinam sua existência.

Se B pudesse esbanjar tempo e riqueza...

Provavelmente seria um macho alfa.

Porém, B não tem riqueza. Porém, B não perde seu tempo.

B é uma mulher pragmática, mas ainda vive sua vida como se o que faz pudesse sobreviver ao dia em que foi feito. Bobagem. “Esse pensamento se auto destruirá em trinta segundos”.

B faz pelo menos três coisas ao mesmo tempo: olha para A; levanta seu copo de cerveja; considera como sua vida ande se esgarçando, tornando visíveis trama e urdido.

B se sente síntese, santa encenação das indesejadas felizes de sê-los. Das que brincam sozinhas e acompanhadas, mas sempre brincam com seriedade e afinco.

B gostaria de organizar uma procissão com velas, cantos e musicas desafinadas e incompletas. B está sujeita a ser excomungada, processada, castigada. Sabe que deve se policiar, pois está com vontade de gargalhar em voz alta, sentar de pernas abertas em público e comer, falando alto e xingando sem vergonha, invocando as piores divindades com oferendas de álcool, drogas e diversão.

Eis a pergunta que se cala, quando, subindo do plexo solar esbarra no paladar de B: Por que você, A, está aqui, sentada comigo, falando da outra que te traiu?

Escuta, diz A, está a fim de temperar a noite?

Por que não, responde B, gosto de temperos e especiarias.

Então, vamos para a minha casa, propõe A. Tenho temperos gostosos.

Que tal pararmos para comprar um vinho? Sugere B.

(To be continued...)

domingo, 27 de setembro de 2009

POETICA/MENTE

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Em uma quente noite de fogos, sentei na beirada das coisas e olhei o mundo em sua dança desenfreada. Algo dionisíaco aconteceu às margens das santidades melífluas das palavras adocicadas que os padres pronunciaram. Pensei... POETICA/MENTE enquanto as chamas me cercavam.
Nessa noite cristalina de verde queria sentar entre os rochedos queimados, para meus olhos alcançarem o horizonte e nele descansarem, entre a luz e a escuridão.
Sentada, vestida de sal, minha pele se torna pluma de gaivota.
Que meus cabelos sejam cobertores, no frio do vento.
Que minha boca seja terra fértil.
Meus olhos se tornem velas na escuridão dos caminhos do bosque.
Que minhas mãos calejadas recebam a chuva
batendo suavemente,
deixando fragrâncias
que levarei comigo onde a luz começa!

domingo, 20 de setembro de 2009

PERDI TODO O JUÍZO/ESTOU FORA DA GRAÇA!!!!


Bom, estou atrasadíssima, com a postagem dessa semana. É que nem sempre a gente consegue se concentrar no que é fútil & inútil... E essa semana coisas "da pesada" aconteceram.
Tipo: tirei quatro dentes de uma vez só, e minha boca está amarrada com um monte de pontos de naylon, que me machucam a parte interna da boca. Além, é claro, de todas as dores "reflexas" nos outros dentes, os que sobraram... Semana retrasada, sempre para minha máxima diversão, fui colocar um implante, e aí foram outros pontos de naylon provocando feridas em minha boca... Venhamos & convenhamos: ninguém é dentista por prazer, somente a grana pode fazer com que uma pessoa bote as mãos na boca de alguém! Então, com essa situação, meus neurônios ficam "presos" também.
Ma quero aqui adiantar: os candidatos ao prêmio "TAPIR DE LATA" para vendedor feliz (de não vender) andam acrescentando uma lista já bem longa. Vou antecipar, aqui, lojas & lugares cujos vendedores fazem questão de recusar vendas, apesar de você mostrar o dinheiro/cartão de crédito válido/talão de cheque. Lugares que pretendo BOICOTAR aqui em Black Stream:

Lojas Siberian (roupas, no Shopping Saint Iursulah e Ribeirão Shopping)
Lojas Luigi Bertolli (roupas, Shopping Saint Iursulah)
Lojas DPaschoal (pneus, Av. Francis Junqueirah)
Lojas Genius Vídeo (Lá em cima, perto da 13th of May).
Carrefour (Via Norte)
Vamos lá, votem o vendedor que merece o TAPIR DE LATA!!!!

O Vendedor Feliz!!!!! Eis meus cases, ofereço aqui o manual de auto-ajuda para trabalhar sem esforço e ganhar o prêmio!!!
1) SIBERIAN
Lá vi uma blusa, um dia. Uma daquelas das três Bs (ou quase), boa, bonita & barata.
Entrei e pedi para ver o produto. A vendedora disse que tinha acabado no estoque. Muito bem, eu queria ver aquela da vitrine. Resposta: NÃO POSSO VENDER PARA A SENHORA O QUE ESTÁ NA VITRINE. Surpresa, perguntei como podiam expor algo que não estava a venda. Não obtive resposta. Aí, fiz uma pequena enquete entre amigas, e tentamos algumas hipóteses.
a) A vendedora já alcançou sua meta de venda, acima da meta o dono da loja não paga suas vendedoras. Isso significa que já está ganhando demais, ainda que em tempos de crise...
b) Aquele produto barato não está a venda, só serve como espelhinho para atrair clientes. Nesse caso, porém, não houve oferta de algo que substituisse o produto e que alguém me oferecesse.
c) As vendedoras são muito ricas.
Depois de alguns dias, vi o mesmo produto na loja da mesma franquia, em outro lugar. A história se repetiu, sem mais nem menos. Note-se a mentira: em ambos os casos, as vendedoras falaram que o que está na vitrine tem que ficar quarenta dias exposto, ainda que não tenha o produto na loja. MENTIRA: uma semana depois, a vitrine mudara....
Frustrante, no mínimo.

LUIGI BERTOLLI.
Adoro uma liquidação. Especialmente se o produto é algo que quero e sai bem em conta. Entrei e procurei algum vendedor/vendedora. Não havia ninguém. Decidida, procurei nas araras, sozinha, e encontrei o que queria, mas do tamanho errado. Fui até o caixa, para perguntar. O mocinho, sem nem olhar o produto, olhou para minha cara e disse: OLHOU BEM NA ARARA? SE TIVER, A SENHORA ENCONTRA.
Muito bem feito, parabéns pela gentileza & disponibilidade com os fregueses...

DPASCHOAL.
Quem usa pneus de um certo tipo, sabe que tem que encomendar, pois são um pouco mais "difíceis". Acontece que os carros têm 4 (QUATRO) rodas... então: POR QUE OS CARAS SÓ ENCOMENDARAM 3 (TRÊS) pneus? Por acaso acham que a gente anda de triciclo?????? Mudem já, boicotem a estupidez!!!!

GENIUS VÍDEO
Essa, realmente, é uma loja que NÃO faz jus ao nome... Fui lá, e não teve jeito de fazer cadastro como dependente do titular, sabem aquela coisa que outra pessoa pode retirar o Dvd? Pois não é suficiente ter comprovante de endereço, R.G., C.P.F. Se você tentar cadastrar alguém como seu "dependente" para locar um Dvd, boa sorte!!!! Tem que ser
a) residente na cidade
b) parente de primeiro grau
c) o escambal a quatro...
Francamente, vou apoiar a pirataria, piratear um mundo de filmes.
Nem para comprar um imóvel é tamanha frescura! Quanto zelo, policial, só falta pedir atestado de antecedentes criminosos!
Para não falar que em outra loja da mesma franquia já fazem reconhecimento de digitais... Menos C.S.I. e mais bom senso seria bem vindo... sem precisar ser GÊNIO!!!

CARREFOUR
Aqui, então, as boas maneiras no trato com quem vai gastar dinheiro ficou lá atrás, em algum treinamento esquecidíssimo...
Entrando com minha micro-mochila, tamanho bolsa, não uma MOCHILA GIGANTE MUTANTE, daquelas pequenas MESMO, o rapaz metido a Guarda Carcerária da entrada, assim falou (que nem Zarathustra): HEI, VOCÊ AÍ, NÃO PODE ENTRAR COM AQUILO!
Nada de "por favor", isso é fora de moda, isso é coisa de quem acha que freguês têm alguma relação com o emprego dele, claro!!!!

CHEGA!!!!!
Estou tão furiosa com esses tratamentos, estou com tanta dor na boca (ESTOU MUUUUUITO de mau humor, dá pra perceber???) que resolvi mesmo botar os nomes dos lugares e espero, muito sinceramente, que esses fantásticos vendedores sejam muito bem premiados e reconhecidos como merecem... de minha parte, não vão me ver nem pintada de ouro e faço questão de escrever e dizer claramente nomes e fatos desses lugares.
AJUDEM A FdP a encontrar outros candidatos, que assim a gente organiza uma bela de uma festa digna da pseudo revista auto comemorativa das quatro famílias donas da cidade (VIDE &) REVIDE, com fotos dos premiados com o TAPIR DE LATA!!!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DIARRÉIA ACADÊMICA.


Algumas “notas acadêmicas anarquistas”. Não, não no sentido da história do anarquismo, ou o anarquismo na literatura, não. Anarquistas no sentido de não quererem se constituir como corpus que pertence a um campo. Se eu escrevo sobre literatura brasileira, não deveria eu ter um “repertório” teórico, possivelmente atrelado às Letras, como Estudos literários / Teoria do romance / Semiótica literária? Ou, de repente, descobre-se que meu campo de pertencimento é, em sentido curricular, de vertente mais histórica, então: não deveria eu estar a par de todos os repertórios teóricos e linhas de trabalho e de pesquisa da história econômica, social, de gênero, colônia, império e debate teórico? Acredito que sim, se eu quisesse definir, colocar uma fronteira ao meu objeto de estudo nesse texto. Mas, por acasos da vida, que não vêm aqui considerar, minha especialização é em assuntos gerais (e, freqüentemente, aleatórios), amplos e irrestritos, uma verdadeira orgia enciclopédica na qual, às vezes, paro e penso: sei muito, nada muito bem. E aí, recomeça a busca de aprofundamentos, mas sempre em assuntos gerais: de repente, uma necessidade de entrar em uma livraria. Em geral, escolho as estantes das Ciências Humanas: filosofia, sociologia, história, comunicação, estudos literários, antropologia são, por mim, cuidadosamente exploradas, em busca de algo “esclarecedor” sobre a minha última leitura. E quando encontro, aí está uma nova dúvida, e o ciclo recomeça, até uma nova crise de terror em que minha vacuidade me assombra... Nas palavras de Machado: “Meu nome é Veleidade”, enfim aqui vou eu, d. Benedita do século XXI. Oriunda de um mal estar acadêmico que me persegue desde que comecei a enxergar alguns mecanismos perversos da universidade, que já está no limite de sua explosão, mas que nunca explode, porque descubro que, em todo seu mecanismo infernal, dilacerada pela dúvida se o intelectual deve ou não ter patrão, em um mundo de Mercado, com a decadência do setor público, ainda assim, essa academia resiste, porque suas fundamentas foram se estabelecendo em um mundo e em um meio que se caracterizava por ser intelectual e por deter uma fatia interessante de poder, a Igreja do mundo medieval. As etapas, as hierarquias da carreira acadêmica se traduzem em práticas nas quais a modernização não teve sucesso. Por sua natureza, a Universidade é anticapitalista: quando a academia nasce, nasce como centro intelectual oferecido pelos mais tenazes concorrentes do lucro: os teólogos medievais, personalidades que teorizam a busca do conhecimento de Deus como aspiração suprema. O lucro é discutido, nas salas universitárias, somente em relação ao pecado e à salvação. Ser professor universitário, nos tempos áureos da Escolástica medieval significa ter status, influência e, portanto, poder. Poder “social”, não “político” (a política, na Idade Média, não é um espaço identificável com seu desenvolvimento moderno), não econômico. Horizonte medieval que sofre os golpes do mundo mercantil na baixa Idade Média. As exigências do mundo urbano transferem demanda nova ao conhecimento: muitos são os estudantes que encontram nas instituições os princípios, fundamentos teóricos de suas práticas (Certeau), especialmente nos estudos desenhados por Hugo de São Vitor já no século XII. Ele estruturou um novo curriculum que, além das tradicionais artes do trivium (gramática, dialética e retórica) e do quadrivium (aritmética, música, geometria e astronomia) incorporava também as exigências “práticas” do mundo mercantil e urbano: as artes mecânicas (fabricação da lã, armamento, navegação, agricultura, caça, medicina, teatro). Como se vê, a universidade nunca perdeu a prática de refletir sobre as necessidades dialéticas do conhecimento. E este, é o lado bom da tradição. Infelizmente, a academia herdou alguns “problemas”: muitos de seus representantes pararam de pensar em seu papel na sociedade, restringiram seus objetivos à repetição do que já existia, sem a capacidade de corresponder dialeticamente às exigências da sociedade. No mundo medieval havia muita clareza sobre o que é pecado. Todos são pecadores, alimentam as chamas do Inferno, alguns se arrependem, e vão ao Purgatório. Poucos chegam diretamente ao Paraíso. E os pecados capitais são sete, como sete são as virtudes. Ninguém escapa desse esquema, é base reguladora e medidora das relações sociais medievais. É a partir da elaboração dos conceitos de Pecado e de Salvação que se eliminam os inimigos. Então, quem mais os conhece, os teólogos, os estudiosos, se propõem a decidir o “certo” e o “errado” no mundo. Para isso, na universidade medieval, corre-se o risco de pecar por vaidade e orgulho, pecados que não fazem bem ao curriculum no dia do Juízo. Por outro lado, geralmente a relação comum entre estudantes e professores se dava em sala de aula, em um espaço específico dessa “rota” do poder/saber: infelizmente, o que a história da cultura e do saber considerou esquecível, a própria história é obrigada a lembrar nas punições daqueles que foram dignos do Inferno de Dante, não com os espécimes punidos pelo pecado do orgulho, mas sim como sodomitas e hipócritas: os professore universitários. Lembremos que o acesso aos estudos universitários era limitado aos homens. O panorama do saber, portanto, no que é academia da baixa Idade Média e no Renascimento, é criticado. Todavia, os críticos pertencem às suas fileiras, ou pelo menos, nelas se formaram. São a primeira leva de humanistas, seguidas pelos intelectuais do Renascimento e do Estado Moderno.

A universidade formou pensadores do Estado Moderno, ou seja: os inimigos da Idade Média e de suas estruturas do antigo regime: mas ela própria, insigne representante dessa Idade Média, sobreviveu e se reformou, mantendo a base nas características discursivas e nas práticas intelectuais anteriormente estabelecidas. Os debates atuais apontam para uma derrocada rápida de alguns baluartes da sobrevivência de uma autonomia intelectual, pela qual as Universidades lutaram na Idade Média: não haverá espaço, no Mercado para se pensar sem “tutela” patronal? Quem exercerá, nessa situação, a crítica necessária aos poderes, não só pela sua derrocada, como pelo seu sucesso?

As crises não são somente materiais: faltam recursos, ou melhor: o mecanismo para obtê-los é viciado
e obsoleto. Por outro lado, às vezes, temos a gratificação de crises de natureza teórica: nesse mundo em busca de padronização, há um conflito entre super-especialização e trans-especialização, definindo, com isso, a possibilidade de se colocar nas áreas de fronteira entre campos do conhecimento. Nas áreas de fronteira, as pessoas são, facilmente, “bilíngües”. As trocas, em momentos de paz, são favoráveis e enriquecedoras.

sábado, 5 de setembro de 2009

EM TEMPOS DE CRISE...

Ideias para um best-seller:
ESCREVER UM MANUAL DE AUTO-AJUDA.
O gênero tem lá sua história. Sempre pensei que a Ars Amandi de Ovídio fosse um manual.
O manual dos generais, conquistadores e imperadores inteligentes, na antiguidade, era o De bello Gallico. O cristianismo oferece um vademecum exemplar no Cura Pastoralis de Gregório (que nome mais grego, para um papa romano, em tempos de grande cisma...).
Conheço um manual propedêutico à leitura e aos estudos universitários, a Arte de ler de Hugo de São Vitor.
Depois, vêm dois manuais para seguir carreira na corte & na função pública; o Cortesão, de um lado, e O Príncipe, do outro.
A partir daí, a auto-ajuda se "vulgariza", no sentido popular do termo. Talvez porque se contamine com outro gênero literário, esse sim, bem "popular", o Almanaque. Para se ter uma ideia, no almanaque, até hoje, a gente aprende um monte de coisas bem práticas, sobre quando engarrafar os vinhos, quando a lua cresce & aparece, o que semear na época, os santos aos quais recorrer a cada dia e, finalmente, a astrologia. Essa sim, que é importantíssima, em qualquer almanaque de respeito, em todas as épocas. Essa astrologia, vontade de futuro sem incertezas, prática condenada pela igreja e, ainda assim, presente na maioria dos jornais até hoje, ainda vende, vende, vende...
Ao lado de todas essas "ajudas" para sobreviver melhor a cada dia, havia a parte "profética" da Astrologia de Almanaque: nem todos sabem que um dos livros "referência" quando as Grandes Urucas acontecem no mundo, as centúrias de Nostradamus, nada mais são do que uma coletânea de "visões" que o dito cujo escrevia para ganhar seu pão exatamente nos almanaques. Ele era medico, formado em Montpellier, amigo de juventude daquele Rabelais que, infelizmente, por ter escrito uma grotesca & maravilhosa história de gigantes, tão escrachada & provocadora de risos, acabou bem mais distante do sentir "popular" do que São Nostradamus da Uruca Perpétua.
Bom, voltando à auto-ajuda: ela, então, nessa mistura com os almanaques e com a grande força "reprodutora" & "barateadora" da imprensa, acaba se FIRMANDO FIRME (bem firme mesmo, para reforçar a firmeza do gênero) nos livros de modelos, onde se ensina, sei lá: a dançar, a usar espadas, a cortar & costurar e, também, a se comportar na nova "civilidade" cada vez mais barroca: eis o Galateo aparecer para se multiplicar em infinitas formas de receitas, padrões, modelos, esquemas, dicas & soluções definitivas para melhorar sua vida/relacionamento/trabalho/jardim/saúde/humor.
Todas receitas infalíveis, especialmente para seus autores, que já ganharam e ganham FORTUNAS nesse gênero trash que se origina entre almanaques, profecias (celestinas ou pseudo-orientais) & sonhos de uma vida "cortês".
Pois bem, já que o gênero vende, e vende bem, eu quero entrar na onda e descolar um dindin também, pois nem é necessário possuir grandes habilidades linguísticas: é suficiente um vocabulário de mais ou menos 150 palavras, conjunções inclusas. Conjugação verbal: só se for do futuro, esqueça o seu passado, deixe de pensar no seu inferno!
O gênero vende porque, apesar de sempre ter uma receita infalível (para quem, resta ver...), a Grande Uruca CONTINUA a nos assolar. E assim, a cada nova publicação reacende-se, luminoso, o neon do grande outdoor da ESPERANÇA.
Com essas reflexões, resolvi também entrar no mercado da auto-ajuda e oferecer um novo título. Depois de
O monge e o executivo (best-seller no craque do banco Vaticano na época?)
Quem robou meu sabonete/shampoo/condicionador/desodorante (editora L'Oreal, Paris)
O vendedor Tubarão/Tigre/Rottweiler & outros bichinhos de estimação mais ou menos próximos da gente
& outros manuais de perfeitos vendedores, eu tenho um título também, MUITO, MUITO Original:
O VENDEDOR FELIZ.
Dedicado aos vendedores que não querem vender.
O livro vai oferecer uma série de CASES, como qualquer livro de auto-ajuda de respeito.
E também algumas profecias. Daquelas inspiradas no sucesso de Nostradamus. Que tanto encontra o gosto popular de todas épocas.
O manual tem dedicatórias especiais, aos que me ensinaram essas técnica de vendas tão importantes e fundamentais para o sucesso de lugares como o Saint Ursula (pronuncia Iursulah) Mall (altíssima rotatividade de lojas: dois, tês meses, depois, vai ver pelos lucros astronômicos, as lojas fecham).
Atualmente, o lugar apresenta 80% de espaço fechado "por reforma". Na entrada, uma mistura de jovens querendo ser deprê (entre "emos" e "gótico" uma dezena de adolescentes simpáticos e sacados o suficiente para eleger o Saint Ursula (pronuncia Iursulah) como lugar de depressão infinita). Já teve casos de suicídios, lá dentro.
Bom, fui lá, confesso, umas vezes, SIM! Fui, porque é perto, quando estou por lá. Fui, porque a livraria sobrevivente do Saint Ursula (Iursulah!!!!!) é pequena, mas boa. Destinada a falecer, temo. Mas eu sou uma pessoa que se esforça para que sobreviva, "financiando" sua existência em troca, somente, de alguns livros.
No Aterrador Térreo do Saint (I)ursula(h) há uma MISTFICAÇÃO que preciso MESMO assinalar: a Capelinha de Saint (I)ursula(h).
Com direito à estátua.
Reza uma pessoa de cada vez, se quiser, na vetrine da Capela. Quando se fala em espaço íntimo como interioridade! Esse lugar permite "revelar" o recolhimento, a interioridade aos que passam, olhando para as vitrines. Aquele que reza também será visto...
Bom, e a MISTIFICAÇÃO? ONDE ESTÁ a MISTIFICAÇÃO? Simples: Saint (I)ursula(h) era uma sueca que fizera voto de nunca mais se lavar, e pretendia conversar a sério com os poderosos com base nesse pressuposto. Não deu certo, e acabou mártir. Estamos no século XIV.
ATENÇÃO, agora, para a MISTIFICAÇÃO da capelinha do Saint (I)ursula(h)!!!!
Há uma legenda, debaixo da Santa. Que fala de uma tal de (I)ursula(h)...
só que, só que....
MILAGRE DE TRANSMUTAÇÃO, DE TRANSFORMAÇÃO, DE TROCA DE IDENTIDADES!
Le-se a história de uma jovem russa, que quando a Russia virou U.S.S.R, C.C.C.P, enfim, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, bom, quando "os comunistas" fizeram a revolução... Encontrou seu martírio, pois era amiga/próxima daquela gentalha que era a família do Czar & todos os vampiros da nobreza que, para esquentar seus salões para as festas botavam os camponeses, ainda ligados ao sistema feudal da corvée, em fila, descalços na neva, para levar a lenha à suas lareiras. Nada justifica os crimes de Stalin, mas por favor, dá para maneirar na MISTIFICAÇÃO pseudo-religiosa?
Momento de CHOQUE & REVELAÇÃO para a FdP: É UM SIMULACRO! NÃO É ELA!
CUIDADO! NÃO É SAINT (I)URSULA(H)!!! A jovem honrada na capelinha da Santa não é nem Santa... LIGUEM PARA O PROCON, que Saint (I)ursula(h) em Black Stream chegou via Paraguay, e
QUEM NÃO SABE ACABA COMPRANDO uma (I)ursulah no lugar da verdadeira, original. Como comprar um fogão qualquer ao invés de Brastemp...
Concluindo, que já por hoje me cansei: vai ter uma prévia do manual de auto-ajuda por aqui, nos próximos dias, se alguém quiser aprender a receita para a felicidade do vendedor, fiquem sabendo...
Bjs da FdP.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

FOLHETIM EM UM CAPÍTULO SÓ.

Gente, já me encontrei na constrangedora situação de ter que explicar que "CONTO É CONTO", não é relato de vida! Fazer o que? Ficção é ficção, e eu gosto de inventar contos!
Quem quiser ler, que leia e que viaje, e se gostar, que leia mais, que a ficção faz bem à cabeça da gente!!!

Sábado, noite. Está na hora de ir, sair, se divertir. Mulheres, me aguardem, pensa na frente do espelho. A cidade é um território de caça. As mulheres estão lá fora, só precisa se arrumar com a roupa certa para a caçada. Arruma o cabelo, parece um iguana, com a crista cheia de gel, piercing nas orelhas, piercing no nariz. Parece o cow-boy da terra de Marlboro. Parece, parece, até parece. Camiseta branca, manga curta, enrolada, tatuagem a vista no bíceps, calça jeans e botinas, ultimo controle, um beijo para si mesma e a porta se fecha, deixando os medos em casa. De alma mais leve, na calada da noite.

A bicicleta entre as pernas, pedala rápida, excitada. Só mulheres, mulheres, já se imagina cercada por figuras etéreas, elegantes, vozes e risadas, perfumes e curvas. Chega logo, chega logo ao local. Nome do local: “O interior da Picanha”. Tosco, eu sei, mas fazer o que?

Quer mulheres que te querem?

“O interior da Picanha” é onde elas estão. Coisas da cidade. Pouco românticas na aparência, espera-se melhoras na substância Afinal, não é o nome que importa, certo? Desce da bicicleta. “O interior” está aberto, um fio de fumaça já alerta que os espetos estão no fogo. O cheiro é enjoativo, verdadeiro filé miau, mas a brisa está a favor de quem encosta no balcão. Lugar vazio.

A moça do bar: novidade que sorri e coloca um chopp na sua frente. Olha em volta: ainda é cedo, espera-se que a amostra não seja significativa: uma mesa ocupada por um grupo de bulldykes já no numero X da cerveja. Risos roucos de cigarro. Bem que ela um pouco as inveja: elas arrasam com as héteros, que tão héteros não devem ser, mas aí, também é muito complicado, para seus sonhos, ficar pensando em tudo isso... Ela só quer um corpo quente que queira se sentir melhor junto ao seu.

Mais um chopp, a garçonete novata sorri e oferece um cigarro. Distraída, agradece, enquanto checa a entrada. Algumas conhecidas, sorrisos distantes, e aquela moça, puxa, acha que um dia a paquerou, mas nunca esteve tão certa, então não arriscou e agora a moça namora a Fulana que já foi namorada da Beltrana... Tristeza, nada de novo. A musica também não ajuda, meio óbvia e lamurienta, com expressões requentadas, e nada requintadas, de dores infindáveis de cotovelos.

Mais um cigarro, mais um gesto distraído para a novidade no serviço: moça linda, de sorriso aberto, profissional no trato, super fashion... deve ser a namorada de alguém, pensa, a máfia lésbica da cidade não deixaria uma belezoca assim trabalhando nesse lugar sem “proteção” especial, alguém ciumenta e grande em tamanho deve estar vigiando. Uma namorada que regula os sorrisos e os papos possíveis. Ufa.

A noite de tanto entusiasmo já não é mais a mesma, parece que os vapores grudentos do filé miau já impregnam até pensamento. Pensa: “gracinha”. Pede: mais um chopp. Só pelo gosto de vê-la se mexer, de sentir a sua atenção, sobre a pele. Ainda que profissional. Ahi ahi, a noite não está com nada, era outra idéia, de encontrar um milagre...

Mas um milagre no “Interior da Picanha”, bom, somente nos sonhos, e esta é realidade, esta é a cidade, e a musica é de beber mais e as mulheres já estão acompanhadas, e as que não estão, meu deus, nada a ver com ela, não gostaria de encontrá-las sozinha em um beco escuro... Por quanto atire poses de moderninha, ela é nativa da cidade, o que implica em uma dose maciça de idéias muito erradas sobre quanto a aparência coincide ou não com a realidade, como já deveríamos ter entendido na identidade entre o nome e o ambiente desse barzinho chamado “O interior da Picanha”. Como dizia o Barão de Itararé, de onde menos se espera é de lá que não vem nada... Um dia vai aprender, mas não hoje, não, hoje só queria... mais um chopp. E já perdeu a conta, a cabeça fica leve e um certo enjôo já toma conta do aparelho digestivo. Levanta os olhos e “gracinha” sorri, compreensiva, e coloca um copo gelado de Coca e limão na sua frente.

Maravilha de profissional, pensa, ligada sempre no freguês. Com os olhos semi-cerrados para governar os chopps que ameaçam subir até as orelhas, admira o gingado da moça que se afasta lépida em direção oposta. “Gracinha” é bonita sim, quem será a sortuda que atualmente governa e/ou é governada por tanta graça?

As horas passam, talvez transitem, mas nunca vão voltar e, aos poucos, o lugar se esvazia. Só sobram ela e as garçonetes, que retiram mesas e cadeiras, que trancam as portas e desligam as luzes. Encostada no balcão, pergunta-se como conseguirá manter a dignidade no momento em que abandonará o banquinho que a sustenta. Aliás, quase quer perguntar se pode ficar aí para dormir. Percebemos, aqui, o quanto está bêbada, não consigo imaginar como vai pegar a bicicleta e chegar em casa, parece que “gracinha” também tem as mesmas minhas dúvidas, as nossas dúvidas e, com aquele gingado, com aquele sorriso, uau, se aproxima e a segura pelo braço, enquanto a ajuda a seguir pela porta. Ela se apóia, bêbada, oh, quão bêbada está, sente o calor de “gracinha”, que tem um carro, portanto sabe dirigir, mas não pergunta para onde, e dirige na noite da cidade, e ela quer que isso não acabe, ah, está muito bom, o vidro aberto, o ar, se sente bem melhor. Mas isso acaba sim, senhoras, e chegam, e nós com elas, à casa de “gracinha”, é escuro e não consegue ver como é a casa, deve ser bonita, mas só quer um Sonrisal, uma água tônica e deitar com ela ao seu lado.

Estranho é que não chega a dizer nada disso, pois tudo está acontecendo desse jeito. Como: “está acontecendo”, nem falei, mas ela está tirando minha roupa, pensa, e eu estou tirando a dela, e esta pele macia, e este sabor gostoso, e suas mãos que buscam, e minhas mãos que encontram, e de repente, feliz e satisfeita adormece e esquece.

Manhã. Abre um olho, abre o outro e não sabe muito bem onde se encontra. Mas seu esquecimento é rápido, já voltou tudo e enquanto tudo volta, “gracinha” acorda e sorri, a beija, levanta e faz o café. Com a bandeja na mão, chega, muito profissional e, sorrindo, pergunta: “Aposto que você nem sabe meu nome, não é?”.

Ela baixa o olhar, o sangue sobe às faces e, em um sopro, responde: “Não”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O GRANDE ESPETÁCULO.

Senhoras e senhores:

Tomai seus assentos. Em seus sofás ou poltronas favoritos. No banco do parque ou na cadeira da praia. Muni-vos de suas bebidas preferidas, chá, café ou cerveja que seja. Preparai-vos um prato com seu lanchinho gostoso. Dêem-nos seus olhos e seus ouvidos. Porque esta, senhoras e senhores, é a assustadora & tenebrosa

MULHER QUE MORRE TODA MANHÃ.

Sua execução sempre é marcada no mesmo horário. Pela manhã, às 5, como todos os dias, os guardas destrancam a porta de pesado metal. Ela vai ouvir o ruído da tranca pela última vez, mais uma vez. Será levada para fora, dois homens na frente, dois homens atrás, marcando seus passos como uma marcha temperada pelo tilintar das correntes.

As mãos acorrentadas, os pés acorrentados, rumo àquele muro onde todo dia, há mais de um século, seus olhos são vendados. Depois, com uma ordem seca, os fuzis disparam. Ela cai, devagar, até não existir mais.

O corpo será recolhido em uma maca estreita, coberto por um lençol e levado de volta à cela. Cela onde, com o por do sol, abrirá novamente os olhos. De novo, ao anoitecer, os guardas levam uma bandeja de comida farta, sua última ceia solitária. Mais uma vez, será a última.

Senhoras e senhores, não tem truque, hoje o grande circo elétrico vais mostrar novamente todos os passos dessa mulher. Um reality-show de grande sucesso: na cela várias câmeras permitem que vocês observem todos os movimentos da última noite dessa condenada. Com o simples gesto do controle remoto interativo, vocês podem aproximar detalhes ou manter uma visão mais geral do espaço.

Podem observa-la enquanto conta as horas que faltam para sua execução. Podem concentrar seus olhares sobre o cobertor puído, ou sobre as trincas do piso de concreto. Se preferirem, podem se deleitar com as grades enferrujadas da janelinha pela qual ela não pode olhar, pois é alta e estreita. O beliche onde ela deita range, e com o ajuste do áudio vocês poderão até criar uma atmosfera sensual. Tudo é possível, nesse nosso maravilhoso circo elétrico.

Público gentil, talvez vocês se perguntem: qual é a razão dessa mulher ser incapaz de morrer? Muito bem, estamos aqui desejando sua diversão e tranqüilidade, e é com grande prazer que respondemos a essa sua pergunta. A razão dessa maravilha reside em um fato simples e, todavia, de grande complexidade. Essa mulher possui certificados de imortalidade assinados pelos maiores luminares da ciência e da medicina, membros das Reais Academias científicas de Noruega, Suécia e Dinamarca. Mas também de Lichtenstein, de Andorra e Monte Carlo. Todos os estudiosos, cientistas e médicos concordam: essa mulher não pode morrer porque ela, senhoras e senhores, é uma aberração da natureza, uma criatura única. Ela, senhoras e senhores, possui uma pedra no lugar do coração. Pois bem, público estimado, onde vocês poderiam ver criatura tão monstruosa, mulher sem barba nem bigode, de aparência comum e, ao mesmo tempo, tão incrível e digna de exposição aos olhares do mundo, aos seus olhares, pela misera quantia de uma mensalidade irrisória? Sim, senhoras e senhores, aproximem-se às suas telonas e telinhas portáteis e observem, mais uma vez, a mulher do coração de pedra, que morre todo dia por não possuir um coração de carne, cuja condenação é sobreviver todo dia à mesma morte. Não, senhoras e senhores, não cubram horrorizados os olhos de seus filhos, pois esse nosso espetáculo grandioso é levado até vocês como uma preciosa lição cheia de moral para rapazes e raparigas, para adultos, crianças e idosos: uma mulher com uma pedra no lugar do coração só pode ganhar sua vida nesse fabuloso mundo do circo elétrico, graças aos seus olhares curiosos e suas generosas carteiras. Uma mulher com uma pedra no lugar do coração só pode viver morrendo por vocês, hoje, amanhã, pelo resto dos tempos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ANHANGUERA MON AMOUR: FRANCA NÃO É FRANÇA!



Estou em Franca. Cheguei segunda, na parte da tarde, para participar de um evento. Como tenho que trabalhar, não trouxe nada para fotografar, e estou muito, muito arrependida, dessa escolha. Fui boba, perdi a chance de revelar coisas fantásticas! Tudo bem, voltarei, afinal, não é longe de Black Stream. Por enquanto, contentem-se dessa foto emblemática da cidade e do panorama que tirei da janela do hotel graças ao celular...
Coisas que vi (e já sei que sem fotos ninguém vai acreditar...):
1) um monumento MUITO BRANCO de um deus grego "sentado" em cima de algo que se parece com um gigantesco membro masculino.
2) um outro monumento (está cheio, cheio, de monumentos, por aqui!): uma "piscina" (é azul, tem pastilhas e é grande) decorada com estátuas femininas também de estilo grego romano.
3) ... e esta é a melhor de todas.... O MESMO MONUMENTO QUE NINGUÉM SABE O QUE É que está no cruzamento entre a Independence Street e a 9th of july em Black Stream. Igual. Igual mesmo. Fui ver de perto (o de Franca, que o de Black stream é muito perigoso, está, literalmente, no meio do trânsito), e cheguei à conclusão de que, se no âmbito da fauna impossível de bovinos, equinos, aves e "sapídeos" não há bicho igual a outro bicho, no que diz respeito aos monumentos "oficiais" a coisa não se aplica: é o mesmo, MESMO!!!! Pergunto-me se por aqui também o tal de monumento fálico é utilizado no dia 1 de dezembro para se tornar a "base de sustentação" de gigantescas camisinhas.
Pergunto-me, também, se foram comprados juntos, pelas duas prefeituras, para ter desconto (tipo compre dois, pague um).
Sei lá, é que ontem, depois de trabalhar, passeei um pouco pelo centro. Mas Paris não está aqui, por culpa de uma pequena cedilha, perdida talvez no oceano.
Resultado: uma cidade "espalhada", imensa em termos topográficos, tediosa, descolorida, fora nos pontos em que alguém resolveu usar cores improváveis em moradias e prédios.
O hotel onde estou faz jus ao nome: Tower Hotel, e uma torre ele é. Redondo. Alto. Azulzinho. O fato de ser redondo complica um pouco a situação dos quartos: estão todos enviesados, a gente entra e tropeça na cama. Engraçadas, essas escolhas arquitetônicas...
A cidade tem um cheiro próprio, quando bate o vento (e bate todo dia), graças à contribuição das matérias químicas de tratamento do couro, indústria local que, aqui, É a modernidade. Vejam bem, se não tiverem vontade de vir pra cá, não tem problema: eu prometo que vou poupá-los da viagem e vocês poderão descobrir a FRANCA sem Paris e evitar o gasto de tempo e dinheiro...
Au revoir, por enquanto, do FIM DE LINHA da Anhanguera!




quarta-feira, 12 de agosto de 2009

ANHANGUERA MON AMOUR: ZOOLÓGICO GLOCAL

video
Em tempos sombrios para o meio ambiente, resolvi contribuir ao desenvolvimento de Black Stream. Sem dúvida, depois que o aeroporto se tornará internacional, permitindo o "fluxo contínuo" de turistas e recursos em forma de dinheiro, cabe perguntar o que oferecer aos hóspedes. Minha contribuição chega, aqui, em sua face zoossociológica.
A idéia de explorar os monumentos dedicados ao "patrimônio zoológico do impossível" surgiu quando, de repente, passei pelo km 242 e as duas cabeças brancas, cortadas na altura do cupim, se destacaram, repentinamente, em sua mjestade bovina, contra um campo de cana (hahaha...) e um céu azul calcinha.
Comecei, assim, a observar e a capturar a essência animal da escultura zoomórfica local, quase obrigatoriamente realizada em materiais plásticos, mas às vezes o gesso também serve. Pedra que é boa, praticamente zero.
Deve ser porque o plástico demora mais para desaparecer do meio ambiente e as possantes realizações faunísticas ficam, assim, um pouco mais eternizadas.
EM TODA SUA GRANDIOSIDADE
E ENIGMA.
Borges, morra de inveja, perante essa galeria de maravilhas, perante essa zoologia pra lá de fantástica!!!
O URUBU ARCO-IRIS, por exemplo, rara espécie tropical de urubu que tinge suas penas com as cores brilhantes de um papagaio.
Ou os Cavalos de Aço (ferrovelho da Anhanguera, km 250, lá no fundo... na foto, até parece que são dois cavalos fora de foco de verdade, mas é ferro enferrujado... ATÉ PARECE...).
Touros TODOS PODEROSOS Reprodutores se multiplicam, quase em cada esquina há um, com seus atributos ou vitimados pela guilhotina.
Com frequência, o bovino vem acompanhado de seu parceiro equino. Não sei se foi por acaso ou por destino, mas acabei esbarrando em um monumento estranho... um golpe de rabo romântico na fazenda... os dois túmulos dos eternos amantes Julieta e Romeu, a Égua e o Reprodutor com seus ricos atributos, por sinal uma representação patriarcal de fertilidade, para sempre dormem lado a lado,
ENQUANTO
uma suspeita se apodera de mim: onde está o
PRIMEIRO
VERDADEIRO
ORIGINAL
BEZERRO DE OURO????
Uma segunda horda animal invade o território, uma realidade zoológica ainda demasiadamente subestimada em sua força, presença & POTÊNCIA VISUAL:
SAPOS & RÃS & LESMAS artificialmente coloridas dedicam-se aos lazeres típicos de seu dia a dia: tomar banho de lua, despontar entre cogumelos tóxicos, praticar esportes.
De repente, estou na área dos "Grandes Felinos": o mundo foi colonizado por tigres, algumas até precisam de correntes nas patas, para não fugir.
No meio de todas essas "solicitações sensoriais",
percebo
O GRANDE ERRO DE BENJAMIN!
Sim,
WALTER BENJAMIN ESTAVA ENGANADO!
Pela galeria oferecida pode ser, com efeito, realçado que:
NENHUMA OBRA SERIALMENTE PRODUZIDA É IGUAL À OUTRA.
Nem naqueles casos em que a gente acha que É ÓBVIO.
Não há touro igual à outro. Não há rã igual à outra.
Observe-se a rã em posição deitada, apoiada, quase com gesto melancólico, ao braço direito, vestida de sua gravata listrada.
Ela aparece em duas imagens, mas... vejam e revejam, senhoras e senhores, a rã tem cores diferentes!
E o caso ainda mais "SUCULENTO"?
O TIGRE!
O TIGRE PELUDO,
de cavanhaque,
muito "macho".
Que diferença,
do tigre meigo e
um pouco delicado em seus gestos...
O que dizer, perante a confusão zoomorfológica entre um dragão (que poderia até trabalhar em uma loja de churrasqueiras, vai, ainda que revelando uma certa falta de respeito pelos fãs do Fantasy) e este
FANTÁSTICO EXEMPLAR DE CRUEL TIRANOSSAURO
alto quase dois metros, a não ser:
Divulguem um pouco mais a biologia e um pouco menos Discovery Channel!
Eu não sei o que pensar, quando me encontro em presença do COELHINHO PELUDO mais ameçador que já desceu na terra. Criatura evidentemente enganosa, que esconde, atrás dos grandes, grandes olhos lânguidos de clara inspiração dysneiana um espírito maligno. De uma visão do inferno, para outra:
O GOLFINHO PIRIPIRI!
Trata-se de uma instalação permanente, que pode ser (infelizmente) encontrada a caminho de Marililúland, meio oeste que mais meio oeste tá difícil. Ganha de Black Stream.
Então, a instalação é sabiamente iluminada por neón esverdeado (o bolor é natural e alimentado 24 hs por dia pelas gorduras de uma chapa).
A composição é interessante: um golfinho cospe, em uma piscininha, enquanto às suas costas (golfinho tem costas, mas não tem ombros) uma paisagem de montanha(????) domina o horizonte. Como não lembro do nome do posto, meu sub/in/consciente resolveu, em um ato sabiamente antropológico, que
UM LUGAR É SEU NOME.
Daí veio Piriri.
Enquanto observava incrédula & chocada o conjunto, consciente de sua importância e da necessidade de compartilhar tudo isso, meus sentidos ficaram aturdidos pela consistente nuvem de vapores de alho dos espetinhos de frangos consumidos em minha volta.
Eram duas da madrugada...
Eu, aqui em Black Stream, com toda essa bicharada, já estou procurando o uniforme de Indiana Jones...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

UM PEQUENO PASSO PARA A HUMANIDADE, UM PASSO GIGANTESCO PARA A FdP.


videoTrês viva para mim! Em menos de três horas aprendi os princípios básicos da realização e edição de imagens em movimento! E tudo sozinha... VIDA LONGA E PROSPERIDADE para o grande Steve Jobs: permitiu meu auto didatismo de meia idade. EU NÃO VOLTAREI PARA A MICROSOFT, SOU VELHA DEMAIS!
Pois bem, tudo vem do fato que surpreendi os pensamentos profundos e as reflexões filosóficas de duas criaturas biblicamente inferiores: um pato selvagem inglês que fez um pit-stop lá em casa e um cachorro das colônias (o território frio e solitário do Labrador). Reparem como a reflexão patológica leve a princípios escatológicos.
Também gostaria de frisar que o porte do dog é acima dos 40 (quilos) e que os dois animais revelam habilidades lógicas muito superiores aos humanos que, ao invés de se assustarem perante a visão infernal da eterna fome canina e de seus ímpetos e investidas sobre o objeto do desejo, se deixam enternecer enquanto, MUY sabiamente, o dog nem tchongas de ser cachorro de madame! É O PURO INSTINTO QUE SUPERA NOSSA CADA DIA MAIS PARCA RAZÃO? É aí que depois a gente briga no senado, por falta de habilidades patológicas! Calígula fez de um cavalo um senador? E daí? Eu tenho DOIS CANDIDATOS confiáveis tanto quanto esse grande senador equino, candidatos com certeza acima dos senadores bípedes, cujo nível devia estar em Roma igual à sua versão 2.0... E vamos parar de achar que Calígula era louco, se assim fosse, estaríamos do lado de quem grita mais forte, OS SENADORES ANTIGOS & MODERNOS!

PATO DUKE FOR PRESIDENT,
TOLSTOI FOR VICE!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

ANHANGUERA MON AMOUR: MICHELANGELO PERDIDO



Oi, bom dia, aqui vou eu, cheia de tristezas pela falta de cuidado com as grandes obras de arte esquecidas, nesse caso uma do grande arquiteto/pintor/ e escultor renascentista.
Só para refrescar as memórias de quem não lida muito com a história da arte...Entre 1520 e 1532 Michelangelo, que se encontrava em Florença, esculpiu quatro obras particulares, que deveriam ser utilizadas para o túmulo do papa, mas que acabaram sem uso quando o artista foi para Roma, em 1534. Quando o artista morreu, o sobrinho do artista doou as quatro esculturas para Cosme I Médici, cujo filho, Francisco I, as colocou para enfeitar uma gruta artificial.
Aí as esculturas ficaram até o começo do século XX, quando fora colocadas na Galeria da Academia.
As esculturas, chamadas de "Os Prisões", são conhecidas pelos nomes de "O escravo jovem", "O escravo Barbado", "Atlas" e "O escravo que desperta".
Essas esculturas têm uma particularidade: foram feitas para PARECEREM incompletas. As figuras gigantescas têm seu esforço "muscular" enaltecido pela tensão que a pedra não esculpida em volta delas proporciona: uma demonstração de "neoplatonismo" em que a pedra representa a matéria da qual esses homens, esses gigantes sob esforço, buscam desesperadamente se livrar. Assim como um conceito, uma idéia, precisa ser "retirada" do superfluo que a cerca e que é ilusório.
Esculturas, portanto, de grande valor simbólico, em que o artista acabou concentrando toda atenção no torso, dilatado para mostrar o esforço. Mãos e pés estão presos ainda na pedra, enquanto a cabeça e os traços se tornam secundários, permanecendo sem uma clara definição.
Muito bem, forte de minha bagagem de estudos sobre a arte renascentista, estou eu nos trópicos tropicais de Black Stream andando, como sempre, distraída por aí quando...

QUANDO DESCOBRI O QUINTO PRISÃO DE MICHELANGELO!!!!!

Como sempre, já que quando falo as pessoas me olham como se estivesse delirando, com ar de quem não está entendendo muito meus delírios, resolvi documentar direitinho, por meio de fotografia, a existência dessa escultura, UMA DESCOBERTA DESTINADA A REVOLUCIONAR A PRÓPRIA HISTÓRIA DA ARTE!
E aqui vai a demonstração de que NÃO ESTOU DELIRANDO, NEM MENTINDO, NEM EXAGERANDO!!!

Trata-se do QUINTO Prisão, denominado "JEFFERSON", e até poucas semana atrás estava bem visível na COFFEE AVENUE de Black Stream...
GRAÇAS À ESSA FOTO, única testemunha & documento da existência da escultura de Michelangelo, todos podem apreciar a força e o vigor varonil do Jefferson, tentando fugir da matéria, com os pés e as mãos ainda presos na matéria, o peito dilatado pelo esforço, o rosto e os traços indistinto....
INFELIZMENTE, a escultura foi secretamente removida, sumiu de um dia para o outro, foi roubada, em poucas palavras: suspeito que tenha sido roubada por alguém que, como eu, "descobriu" o valor ALTÍSSIMO dessa obra magUInífica do mestre que, hoje se descobre e NINGUÉM nunca imaginou, deixou vestígios por aqui...
Resta o pesar do desaparecimento e o convite PARA PROCURAR outros exemplos desse NÍVERRRRRR aRtíssimo de requinte & habilidade artística!
Bsus da FdP que não se aguenta, quando vê essas BELÊÊÊUSAS!