segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PRESENTE/AUSENTE

O que vejo, às vezes se confunde com o que lembro. As imagens gravadas na retina, às vezes as reencontro gravadas em uma máquina. Não há fios de Ariadne para seguir, somente rápidas impressões, às vezes impressionistas, às vezes simbolistas, mas sempre surreais...

NÃO ESQUEÇAM DE VISITAR A SIBILA!!!

Foto da gruta em que se acredita morasse & trabalhasse a Sibila Cumana: em Cuma, perto do Vesúvio. O lugar merece uma visita....

As Sibilas eram videntes, dedicadas ao culto de Apolo. Seus oráculos eram dados, geralmente, em grutas próximas de vulcões. A Sibila Cumana era uma dessas videntes, de temperamento triste, colérico e selvagem. Quando recebia as profecias, entrava em um transe profético, que não chegava a deixa-la alienada. Depois de receber as palavras futuras do Deus Apolo, escrevia suas visões em versos, nas folhas da palmeira que crescia na entrada de sua gruta.
Em seguida, deixava as folhas no chão, para que aqueles que pediram a consulta as lessem.
O vento, porém, virava as folhas, as misturava e levava embora muitas delas. Dessa maneira, as profecias se tornavam quase sempre incompreensíveis, e os pedintes iam embora lançando suas maldições contra a Sibila.
Quando jovem, a Sibila fora desejada por Apolo que, em troca dos favores da moça, ofereceu-lhe esse dom da profecia. A jovem aceitara o dom, além de pedir ao Deus também tantos anos de vida quantos eram os grãos de areia que cabiam em sua mão.
Depois de obter as dádivas, todavia, zelosa de sua pureza a Sibila se negou ao Deus, o qual, enfurecido, se vingou: com efeito, a jovem esquecera de pedir, com os muitos anos de vida, que seu corpo não envelhecesse.
Foi por volta dos 40 anos que ela se apercebeu de seu erro, mas já era tarde de mais.
Dizem que seu corpo encolheu a ponto de se parecer com uma cigarra. Construíram para ela, assim, uma pequena jaula onde ela cantava suas profecias. Alí foi deixada até o dia em que umas crianças a colocaram em um jarro tampado, que só de vez em quando era destampado, para ouvi-la dizer as únicas palavras que, a esse ponto, ela pronunciava: "Quero morrer, quero morrer..."

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O JARDIM DAS DELÍCIAS...

Estou com a sensação, nos últimos dias, de ter entrado por um roteiro de lugares que merecem ser conhecidos, mas que poucos conhecem. Lugares que têm, como característica principal, uma aura de espaço das fadas.
Falei de Bomarzo, com seus monstros de pedra. E hoje, quero apresentar um outro parque/jardim que parece surgir de um universo paralelo, definitivamente irreal.
Se trata de um grande parque, obra de uma artista francesa, Nikki de Saint Phalle. Esse parque se encontra na Toscana, na fronteira com o Lazio, na Itália central. Conhecido como Jardim das delícias ou dos Tarôs, se inspira diretamente de um lado a Bomarzo, do outro ao Parque Guell de Gaudi, em Barcelona. Cada edificação, cada escultura disposta no parque se inspira a uma carta dos Tarôs.
Algumas esculturas são gigantescas, a gente passeia dentro delas. Em uma, a artista fez sua própria casa, o interior da carta da Imperatriz, toda revestida como se fosse um mosaico de espelhos.
Cada peça foi realizada a mão...
Quando se ultrapassa o muro da entrada, se sente a inquietante sensação de ter entrado em um mundo enfeitiçado, povoado por presenças imobilizadas por um poderoso encantamento.
As diferentes luzes do dia transforma as tonalidades brilhantes, doando vida às personagens que povoam o espaço.
Um legado que a artista deixou e que precisa ser valorizado...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

BOMARZO, O PARQUE ENFEITIÇADO.

Em um pequeno vale verde, ao lado da cidadezinha de Bomarzo, na província de Viterbo, o senhor do lugar, homem de armas, mas também letrado humanista, Vicino Orsini, resolveu construir, nas últimas décadas de 1500, um "Bosque Sagrado".
Nos poemas de cavalaria renascentistas, o bosque é um dos lugares recorrentes, bosque encantado onde os heróis se deparam com aparições monstruosas de feras e gigantes, de dragões e esfinges, mas também de perigosas e sedutoras feiticeiras.
As provas da selva enfeitiçada, ou bosque encantado, se torna um dos momentos cruciais da iniciação do cavaleiro à coragem e à glória: ele deve demonstrar seu valor lutando contra os dragões e as outras criaturas encantadas e superar as tentações das feiticeiras disfarçadas de donzelas.
O "Bosque Sagrado" de Bomarzo, protagonista do romance de um notável escritor argentino, Manuel Mujica Lainez, existe, mas poucos o conhecem. Quem não sente a maravilha e o encantamento de Bomarzo não poderá apreciar as sete maravilhas do mundo...


MONGÓLIA, DE NOVO...



A planície, a perder de vista, ondulada, como um mar imóvel, sem qualquer vegetação.
Há, suspenso, acima, esse céu imenso que aparenta ser mais brilhante, mais alto e livre de qualquer outro céu que já vi.
Há a grama, a estepe, os pequenos cavalos, o céu escancarado, cheio de luz, que não te oprime, mas te liberta.
De outros países, pode-se dizer que se gosta porque lá há o conforto da civilização, ou porque se ama a arte, a gastronomia, os tecidos, a música, a arquitetura, a variedade das paisagens.
Na Mongólia, tudo isso não existe, ou, melhor, existe de forma relativa, quase incompleta, existe de forma minimalista.
É desconfortável.
A Mongólia me atrai porque lá há espaços vazios. Para além de tudo, mais forte do que tudo, se ouve o silêncio.
Mongólia, mar verde silencioso no por do sol.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

TRÊS MULHERES MÍTICAS...

Ando pensando em mitologia, ultimamente. Os mits acalentam a alma nos momentos em que a razão foge atrás de carro batido, parentes doentes, problemas da vida quotidiana. Fui assim que lembrei de três figuras muito, muito mais interessantes do que o Harry Potter...
Perséfone/Prosérpina possui três rostos: o primeiro, de uma mulher de cara desvelada, o segundo, é velado, e o terceiro é o vazio da morte, o rosto sem rosto, pois não se pode olhar a morte no rosto.
Assim é a lua nova, a lua crescente/decrescente e a lua cheia.
Circe transforma os homens em animais, em porcos, através de seus feitiços. É uma feiticeira belíssima, inteligentíssima, mas muito, muito cansada de ser tratada como um simples objeto do desejo descartável.
Medéia, também, é uma feiticeira. Uma feiticeira oriental, que conhece poções e sortilégios. Abandonou tudo, para seguir o príncipe Jasão. Ela o ajudou - por amor - a roubar o carneiro de pele de ouro, chegando, com isso, a trair seu próprio pai e a matar seu próprio irmão.
Jasão, porém, a abandona para casar com outra princesa. Medéia se vinga: envenena a tiara danova esposa de Jasão. Sozinha, mata os filhos que teve com Jasão.
Assim fazendo, se livra de suas correntes e volta a ser poderosa.
Engana-se quem acha que se trata somente de uma louca ciumenta. Se assim fosse, não teria o desfecho final: o próprio Apolo envia, para ela subir entre os eleitos, sua carruagem solar, assim que ela realiza sua própria vingança...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

DIÁRIO DE VIAGEM: CHEGANDO NA MONGOLIA...


Eu estava devendo minha viagem para a Mongólia há muito tempo... finalmente, tomei uma atitude! Aqui vai um breve "diário" da visita ao templo Gandam em Ulaan Baatar...

... Chegamos em Ulaan Baatar por volta das 6.30. Já estava claro, e pôde observar, pela janela do avião, o lugar onde estávamos aterrissando. Pelo que constatei, a Mongólia, vista de cima, é uma terra verde e marrom, praticamente sem vegetação alta, ondulada.
Aqui e acolá, formas redondas, brancas: são as geer, ou yurtas, as tendas dos nômades. Aterrissamos nessa paisagem insólita e demoramos um pouco para sairmos do aeroporto, pois precisávamos esperar a emissão do visto.
Agora o visto no meu passaporte ocupa uma página inteira, e não consigo deixar de olha-lo: me sinto uma Marco Polo do século XXI, aqui, na terra de Gengis Khan, nossa, uma viagem que sonhei por tanto tempo!
Na saída, nossa guia estava nos esperando, uma moça muito jovem, que fala um pouco de italiano.
Do aeroporto até a cidade andamos um bocado, ladeando o nada da terra, vazia de um lado, com as grandes centrais elétricas do outro... tudo como nas minhas viagens imaginárias, tudo como nas imagens que criei em minha cabeça!
Descansamos, pois afinal, o vôo Moscou Ulaan Baatar demorou a noite inteira.
Na parte da tarde, fomos visitar um pouco de cidade.
A primeira parada foi o Gandam, um complexo enorme de templos e mosteiros budistas, talvez o maior do país.
Amei as suas edificações, assim como amei virar os cilindros do karma, assim como amei a gigantesca estátua do Buda e os estupas em volta do templo.
Um grupo de monges estava armando uma geer colorida, e vi como se constrói do começo ao fim.
Quando acabaram, deixaram a gente entrar...