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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

EU QUERIA...

Eu queria que 2013 não tivesse acontecido do jeito que aconteceu.
Eu queria que 2014 continuasse do jeito que começou.
Eu queria que levantasse o voo, depois dessa primeira estréia (que não foi tão ruim).
Eu queria realizar as poucas - e consistentes - metas que selecionei.
Eu queria escrever, e bem.
Eu queria mais autoestima.
Eu queria fazer um bom trabalho no trabalho.
Eu queria inspiração.
Eu queria para mim.
Eu queria inspirar.
Eu queria fazer bem feito - o que eu faço.
Eu queria ouvir boa música.
Eu queria ver bons filmes.
Eu queria ler bons livros.
(A propósito, tenho lido ótimos livros nesse começo de ano...).
Eu queria cozinhar bem.
Eu queria comer bem.
Eu queria aprender a falar coisa boas, na hora certa. As erradas, não queria mais falar.
Eu queria. Mas entre dizer e fazer há uma distância que...
Eu queria encurtar essa distância. 
Eu queria muito parar de querer, para fazer! 

terça-feira, 6 de março de 2012

O DIA DE HOJE.


O dia de hoje não está com nada. Trabalhei um pouco, menos do que deveria. A tecnologia me traiu. Nem o computador de mesa nem o meu portátil funcionam: o de mesa se recusa a executar QUALQUER tarefa. O portátil até faz, mas o wireless, ao que parece, não tem alcance suficiente para chegar... Moral da história: meu humor, que já não andava lá grandes coisas pela manhã, só piorou.
Talvez, se eu parasse de comer carne vermelha, as coisas iriam melhor...
Ou talvez não.
Na dúvida, vou tomar um café...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Somos todos cyborg/robots

Amanhã vou visitar o dentista. Não será uma visita de prazer. É que ontem quebrou uma de minhas pecas de reposição, uma prótese em vidro resina em minha boca. Se partiu. Aí, percebi que ela se sustentava por uma barrinha de metal fixada em outros dois dentes, eles também "retocados".
Desandei a meditar sobre a substância que nos compõe e, daí para as reflexões filosófico-tecnológico-ficçãocientificistas o passo foi breve.
Pensei que conheço um monte de gente cujos corpos foram modificados de maneira a englobar peças de metal. Por exemplo, quem quebrou um joelho, um braço ou outras partes, em geral é dotado de pinos. Depois, tem os que englobas metais e/o materiais orgânicos. por exemplo, quem operou de válvulas do coração, substituiu as peças originais de fábrica por outras, que podem ser de origem animal (válvulas biológicas de porco) ou de metal. Ainda, quem teve a caixa torácica serrada por uma operação dessa natureza, pode ser dotado de uma placa de metal para reunir novamente os ossos.
Pensei, também, nas partes sintéticas incorporadas por exemplo nas prótese várias (desde braços/pernas artificiais até partes em silicone).
Moral da história, minha barrinha de metal na boca, super integrada com minhas partes biológicas, é o primeiro passo um para a robotização/cyborguização. Vou revestir de novo esse metal. Minhas partes mecânica vão simular, novamente, o corpo humano....
Basicamente, essa integração tecnológica faz com que aquilo que já foi ficção científica, principalmente o gênero Cyberpunk, seja, hoje, mera realidade.
Queria fazer enxerto de duas asas também. Ainda não pode, mas logo logo conseguirei. Por enquanto, começo com um implante...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PRESENTE/AUSENTE

O que vejo, às vezes se confunde com o que lembro. As imagens gravadas na retina, às vezes as reencontro gravadas em uma máquina. Não há fios de Ariadne para seguir, somente rápidas impressões, às vezes impressionistas, às vezes simbolistas, mas sempre surreais...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O JARDIM DAS DELÍCIAS...

Estou com a sensação, nos últimos dias, de ter entrado por um roteiro de lugares que merecem ser conhecidos, mas que poucos conhecem. Lugares que têm, como característica principal, uma aura de espaço das fadas.
Falei de Bomarzo, com seus monstros de pedra. E hoje, quero apresentar um outro parque/jardim que parece surgir de um universo paralelo, definitivamente irreal.
Se trata de um grande parque, obra de uma artista francesa, Nikki de Saint Phalle. Esse parque se encontra na Toscana, na fronteira com o Lazio, na Itália central. Conhecido como Jardim das delícias ou dos Tarôs, se inspira diretamente de um lado a Bomarzo, do outro ao Parque Guell de Gaudi, em Barcelona. Cada edificação, cada escultura disposta no parque se inspira a uma carta dos Tarôs.
Algumas esculturas são gigantescas, a gente passeia dentro delas. Em uma, a artista fez sua própria casa, o interior da carta da Imperatriz, toda revestida como se fosse um mosaico de espelhos.
Cada peça foi realizada a mão...
Quando se ultrapassa o muro da entrada, se sente a inquietante sensação de ter entrado em um mundo enfeitiçado, povoado por presenças imobilizadas por um poderoso encantamento.
As diferentes luzes do dia transforma as tonalidades brilhantes, doando vida às personagens que povoam o espaço.
Um legado que a artista deixou e que precisa ser valorizado...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

BOMARZO, O PARQUE ENFEITIÇADO.

Em um pequeno vale verde, ao lado da cidadezinha de Bomarzo, na província de Viterbo, o senhor do lugar, homem de armas, mas também letrado humanista, Vicino Orsini, resolveu construir, nas últimas décadas de 1500, um "Bosque Sagrado".
Nos poemas de cavalaria renascentistas, o bosque é um dos lugares recorrentes, bosque encantado onde os heróis se deparam com aparições monstruosas de feras e gigantes, de dragões e esfinges, mas também de perigosas e sedutoras feiticeiras.
As provas da selva enfeitiçada, ou bosque encantado, se torna um dos momentos cruciais da iniciação do cavaleiro à coragem e à glória: ele deve demonstrar seu valor lutando contra os dragões e as outras criaturas encantadas e superar as tentações das feiticeiras disfarçadas de donzelas.
O "Bosque Sagrado" de Bomarzo, protagonista do romance de um notável escritor argentino, Manuel Mujica Lainez, existe, mas poucos o conhecem. Quem não sente a maravilha e o encantamento de Bomarzo não poderá apreciar as sete maravilhas do mundo...


quarta-feira, 30 de junho de 2010

HORROROSA MANIA!!!


Sei lá, de novo, eu não gosto dessa coisa de gente que escreve frases curtas e diz que é poesia... e em geral coisas de dar dó, além de expressar, em geral, muita dor de cotovelo.
Mas estava lá eu aplicando prova cruel aos desajeitados alunos, quando, olhando para a parede branco suja e para a caixa do ar condicionado encardida de poeira quando, novamente, a musa tomou conta de mim... E aqui vai meu calembour...

Serei Serena.
Sereia
Serei Sisuda.
Sentirei
Sentidos Ausentes
Cravados no Crivo.
Me elevo.
Um Tremor,
Um Temor:
Tilintar Trágico
do meu (Mau) Humor.

terça-feira, 29 de junho de 2010

POEMA POÉTICO


Não gosto de poetas. Mas há dois dias fiquei inspirada por imagens repentinas e escrevi essa breve, muito breve composição....
Enjoy!

Duas maconheiras sem vergonha.
Sem maconha.
Que vergonha!

Faltam seis dias para eu viajar. Destino: Mongólia...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

CRIATURAS DIFERENTES II: O SACI E A FLOR DA SAMAMBAIA

Peço desculpas pela demora... mas não gosto de falar de coisas tão importantes como as Criaturas Diferentes sem me atualizar... Então, como sou uma Fada Gringa em terras brasileiras, gostaria, em primeiro lugar, de parabenizar os brasileiros pela rica "fauna" de criaturas Diferentes. Não tratarei de todas, é claro, pois apesar de eu querer oferecer um manual de auto-ajuda, seria impossível cobrir tamanha extensão. Mas devo falar dessa variedade de duende, o Saci, sim, mesmo que todo mundo saiba do que se trata e quem ele é. Além do Câmara Cascudo, o Monteiro Lobato foi a fonte principal para meus conhecimento sobre essa variedade duendesca. Porém, não o Monteiro Lobato dos livros infantis, não. O Monteiro Lobato autor/escritor que gosta de fazer da literatura um laboratório, apesar das críticas oficiais considerá-lo pré-modernista, bem "modernista". Eis que fui eu encontrar, com meu toque de Fada, o Inquerito sobre o Saci. Um livro apaixonante, que multiplica as histórias sobre essa criatura de pele escura, vestido de calção vermelho, de uma perna só, que fuma um cachimbinho (bem politicamente incorreto, nesses tempos persecutórios contra os fumantes... já gostei!). Sabemos que age feito um gremlin, ou seja, faz danos, rouba as coisas, viaja em redemoinhos... é um demoniozinho, obviamente, mais ligado ao mundo dos elementais do que às maldades das criaturas infernais. Por isso, revela seu parentesco com os duendes. Monteiro Lobato transforma a existência do saci em um agradabilíssimo texto literário, em que cria inúmeras vozes que relatam suas histórias, optando, assim, por registros linguísticos variados na construção dessa Criatura que, com certeza, fazia parte do próprio DNA dele (é só olhar as fotos do Lobato, para eliminar as dúvidas...).
Pessoalmente, enquanto Fada, reconheço o duende em sua variedade brasileira. Todos sabemos que os duendes são os responsáveis por colocarem o pote de ouro no final do Arco Iris, e muitos já tentaram encontrar esse ponto e a riqueza do pote, sempre sem sucesso. Da mesma maneira age o Saci. O relato mais poético sobre essa extraordinária criatura é a história do Saci guardião da Flor da Samambaia. Evidentemente uma flor mágica, assim como o é a Mandrágora, que nasce à noite do sêmen dos enforcados (questão, essa, que foi censurada naquela grande peça de marketing sobre bruxaria que é a saga de Harry Potter). A Flor da Samambaia também nasce à noite, nos "samambaiais". É uma flor de uma beleza absoluta, e não poucos foram os humanos que tentaram colhe-la. No "samambaial" inteiro só há uma flor, brilhante, perfumada, latejante de cores luminosas na escuridão. Porém, qualquer tentativa de alcança-la tem sido frustrada.
No momento em que os bem aventurados que tiveram o privilégio de ver a flor esticaram a mão para colhe-la, o Saci, em um breve relâmpago a fez desaparecer, mantendo-a fora do alcance humano.
Uma história belíssima, para retomar minhas reflexões sobre nós, Criaturas Diferentes...
FdP.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CRIATURAS DIFERENTES I: PRIMEIRO CONTATO.



Conta a lenda que
Em tempos remotos & distantes havia muitos seres diferentes, além dos humanos. Os humanos estavam, por sorte dos outros, em um lugar fechado, onde teoricamente não podiam provocar danos. Estavam atrás dos muros de um grande jardim, chamado Éden, e não atrapalhavam a vida de ninguém fora de lá. Porque fora de lá havia um monte de outras criaturas, mais ou menos dotadas de asas, mais ou menos dotadas de garras, mais ou menos dotadas de palavras, mais ou menos dotadas de magias.
Havia:
- Faunos
- Ninfas
- Deuses
- Gnomos
- Sibilas
- Anões
- Lobisomens
- Elfos
- Bruxas
- Mulas sem Cabeça
- Sereias
- Vampiros
- Gremlins
- Hobbits
- Sacis
- Fadas
- Amazonas
- e todos que não lembro agora (mas em algum momento, lembrarei...)
Quando os seres humanos fizeram danos no Parque onde estavam, acabaram caindo para o mundo. Eles tinham uma capacidade incrível de se reproduzir, então povoaram o mundo. As outras criaturas, por outro lado, tinham problemas muito sérios em manter um número mínimo que garantisse a sobrevivência de suas espécies.
Isso se deve a vários fatos. Por exemplo: os vampiros não se reproduzem por "contato & inseminação", mas, sim, por mordida. Aliás, fique entre nós, são bem malcriados quando jantam! Todas as vezes que vampiro morde, faz aquela porcalhada toda de sangue no focinho! Nunca aprenderam a comer educadamente... Se um vampiro se acasalar de maneira tradicionalmente humana ("contato & inseminação) com uma mulher, o resultado será um humano com características psíquicas (não psicológicas, atenção!) de Vampiro. Ou seja: uma pessoa que tende a cansar os outros, "sugando" suas energias. Simplificando um pouco, por enquanto. Ou, por exemplo, as divindades, os deuses que são sempre os mesmos, mesmo mudando de lugar. Como o antigo Thot, depois chamado de Hermes, e em Roma Mercúrio. Quando, na fase da Grande Diáspora das Criaturas Diferentes, perseguidas pelos humanos, ele foi para a África, tomou residência lá pelo lado de Angola e mudou suas generalidades, passando a se chamar Exú.
Quando uma divindade se acasala com humanos, nascem pessoas psiquicamente poderosas. Claro que as características de figuras míticas como Aquiles ou Enéias, nas inúmeras gerações que se seguem, têm seus traços destemperados, mas a tendência psíquica de poderes divinos permanece em suas expressões e ações, frequentemente caprichosas, muitas vezes vingativas, na realidade quotidiana.
Anjos (que lembrei agora não estão na lista), por exemplo, quando se acasalaram com as mulheres, deram origem aos Nephilim, criaturas que muitos filmes já imortalizaram.
Bom, voltando lá, aos tempos antigos e muito lendários (mas já sabem onde vou parar, não é?) os humanos invadiram o mundo, e as criaturas, cada vez mais acuadas, reduzidas numericamente e renegadas, acabaram buscando o caminho da sobrevivência misturando seus destinos aos dos humanos.
Adotando uma teologia agostiniana aplicada a esse campo, podemos observar que em alguns humanos, em cujo passado remoto está uma dessas criaturas, pode ser observada a reminiscência da origem. Alguns, por outro lado, são conscientes do que são. Temos, assim, aqueles humanos que se dedicam, ativamente, a atividades ligadas à realização de feitiços, mágicas e outras práticas notoriamente ligadas à bruxaria. Outras, se dedicam, conscientemente, ao uso, abuso & exploração das forças alheias, reconhecidamente atividades vampirescas. Pessoas que, finalmente, "sairam do armário" e se tornaram, de certa forma, ativistas de um Grande Movimento pelos Direitos (humanos?) das Criaturas Diferentes. Até aqui, tudo bem. Precisa mesmo, impedir a extinção cultural das Diferenças nessa globalização desvairada. As Criaturas Diferentes pedem direitos de cidadania nesse mundo, e enfrentam, em geral, a desconfiança e o medo dos humanos. E não por acaso, pois há, realmente, um perigo no Vampiro, um poder nas Divindades, um Encantamento Destruidor nas Sereias. E isso dá medo aos humanos. Claro, está fora do controle deles! E as Criaturas Diferentes estão longe de serem unidas entre si. É bem difícil que uma Fada, por exemplo, se dê bem com um Vampiro. Suas visões de mundo são bem distantes. É como entre as pessoas, não se pode ser amigos de todos!
Bom, então, encerrando essa primeira incursão ao mundo das Criaturas Diferentes, para reconhecer a presença dessas criaturas é preciso conhecer um pouco mais quem são e o que fazem. Claro que não pretendo falar de todas, mas está na hora de eu também "sair do armário" e declarar não somente que
SOU FADA, SIM!
mas também que
NÃO É UMA ESCOLHA, SER FADA, É O QUE EU SOU.
Principalmente, porém, está na hora de explicar
O QUE É UMA FADA.
O QUE ELA FAZ.
DE ONDE VEM.
POR ONDE TROPEÇA.
Para tanto, dedicarei algum tempo à elaboração do mais ÚTIL
MANUAL DE AUTO-AJUDA PARA CRIATURAS DIFERENTES: COMO SAIR DO ARMÁRIO.

Fada de Preto (a.k.a. Fair in Black, a.k.a. Le Fay au Noir...).

sábado, 27 de março de 2010

MINHA PRÓXIMA VIDA

Todos morremos, e um dia eu também morrerei. Não faço a menor idéia do after life, e nem me interessa muito me perguntar se irei no mesmo lugar daquele idiota que hoje me deu uma fechada com o carro. Mas gosto de pensar que, entre as muitas possibilidades, entre o morreu, fedeu e o clássico binômio céu/inferno há também a chance de reencarnar.
Então, se eu reencarnar, quero voltar como
um cavalo.
Bem alimentado, bem cuidado, nascido e crescido em haras de primeira linha.
Não um cavalo de corrida.
Nem um cavalo para puxar carroças.
Nada de trabalho pesado.
Um cavalo de
hipoterapia, para crianças com problemas físicos e mentais.
Que me abracem, me acarinhem e me amem muito.
Quero viver minha vida de cavalo completa, tornando alguém feliz pelo simples fato de eu existir no pasto.
Assim, quando morrer depois de ter sido um cavalo socialmente útil, poderei voltar.
De novo.
Como ser humano sábio e muito bom.
FdP.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PARADOXOS & ABSURDOS DAS LEIS DA BÍBLIA...


Sei que discutir de assuntos religiosos é um tema bem delicado, mas ando muito confusa, com as pessoas que fazem declarações sobre o que é "moralmente" certo ou errado, com base em uma seleção de trechos bíblicos que, cada dia mais, me parece aleatório.
Explico: condenações contra as minorias homossexuais, por exemplo, são frequentemente fundamentadas no LEVÍTICO, 18:22, que afirma que relações dessa natureza são abomináveis. Daí, vamos justificar discriminações, violências & tudo que é necessário para erradicar esse "mal", vamos internar em clínicas pseudo-psiquiátricas quem sofre desse "mal", vamos impedir que essas pessoas tenham cidadania plena no mundo...
O que não entendo, todavia, é de que maneira se deve agir em relação a outros trechos bíblicos relativos a LEIS & NORMAS que estão no mesmo lugar, a Bíblia, e que todo mundo rejeita como absurdas, ninguém sonha mais em aceitar.
Quero entender: com base no que algumas coisas são aceitas e confiáveis na Bíblia e outras não? Ou tudo ou nada, minha gente, e com base nisso, vou, aqui, expor minhas dúvidas sobre condutas & leis específicas que um bom crente deveria seguir. Aceito conselhos e sugestões sobre como aplica-las. Por favor, me ajudem:

1) Se alguém tem uma filha e quisesse vende-la como escrava, como se encontra em Êxodo, 21:7, onde se encontra o melhor valor de mercado?
2) Quando queimo no altar do sacrifício um touro, sei, pelo Levítico (1;9) que isso produz um cheiro que agrada as narinas do Senhor. O problema, porém, surge com os vizinhos, os quais reclamam que, para as narinas deles, o cheiro é desagradável. O que devo fazer? Espancar esses infiéis?
3) Lê-se, em Levítico 15: 19-24, que só se deve manter relações sexuais com uma mulher não menstruada. Como devem agir os homens, considerando que não é uma pergunta que a maioria das mulheres gosta de responder pois, em geral, é um pouco ofensiva?
4) Sempre Levítico, 25:44, afirma que tenho direito de possuir escravos, tanto mulheres como homens, desde que adquiridos em terras estrangeiras. Considerando minha posição de estrangeira por aqui, estou cheia de dúvidas em relação às minhas opções: posso comprar escravos argentinos, ou os acordos do Mercosul inviabilizam essa opção? Teoricamente, poderia adquirir escravos alemães, mas isso não seria condizente com minhas origens européias, pois na União Européia (da qual sou cidadã) eles não seriam mais exatamente de uma terra estrangeira. Alguém poderia me ajudar com esse dilema?
5) Tem gente que insiste em trabalhar aos sábados. Ora pois, sabemos muito bem que isso é pra lá de proibido, a ponto que em Éxodo, 35:2 se diz, claramente, que quem faz isso deve ser punido com a morte. Pergunto: estou moralmente obrigada a matar esses trabalhadores pessoalmente, ou posso delegar essa tarefa (sei lá, aos meus escravos de não sei onde?). Posso realizar a tarefa aos sábados ou, enquanto LEI, devo considerar a tarefa como trabalho e esperar aos domingos?
6) Um conhecido meu tem a sensação de que se, de um lado, comer lagostas, camarões e outros frutos do mar é um ato abominável (Levítico, 11:10), por outro lado é MENOS abominável do que as práticas homossexuais. Discordo, e acredito que os vendedores de caranguejos da paraíba deveriam ser punidos com grande rigor. Alguém pode me iluminar sobre como fazer?
7) LAST, but not LEAST, em Levítico, 21:20, proibi-se aos que têm defeitos da visão de se aproximar do altar de Deus. Considerando que fui míope por muitos anos, e que o defeito foi corrigido cirurgicamente (não, portanto, MANU DEI), como devo me comportar, para não infringir essa lei?

Então, gente, qual é o critério para aceitar as palavras bíblicas, o que nos convém? Aquilo que OUTROS decidem sem maiores explicações como CERTO e ERRADO?
Vamos parar com toda essa hipocrisia?
A FdP hoje, resolveu mesmo ser chata, viu?

domingo, 27 de setembro de 2009

POETICA/MENTE

Em uma quente noite de fogos, sentei na beirada das coisas e olhei o mundo em sua dança desenfreada. Algo dionisíaco aconteceu às margens das santidades melífluas das palavras adocicadas que os padres pronunciaram. Pensei... POETICA/MENTE enquanto as chamas me cercavam.
Nessa noite cristalina de verde queria sentar entre os rochedos queimados, para meus olhos alcançarem o horizonte e nele descansarem, entre a luz e a escuridão.
Sentada, vestida de sal, minha pele se torna pluma de gaivota.
Que meus cabelos sejam cobertores, no frio do vento.
Que minha boca seja terra fértil.
Meus olhos se tornem velas na escuridão dos caminhos do bosque.
Que minhas mãos calejadas recebam a chuva
batendo suavemente,
deixando fragrâncias
que levarei comigo onde a luz começa!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

ANHANGUERA MON AMOUR: ZOOLÓGICO GLOCAL

Em tempos sombrios para o meio ambiente, resolvi contribuir ao desenvolvimento de Black Stream. Sem dúvida, depois que o aeroporto se tornará internacional, permitindo o "fluxo contínuo" de turistas e recursos em forma de dinheiro, cabe perguntar o que oferecer aos hóspedes. Minha contribuição chega, aqui, em sua face zoossociológica.
A idéia de explorar os monumentos dedicados ao "patrimônio zoológico do impossível" surgiu quando, de repente, passei pelo km 242 e as duas cabeças brancas, cortadas na altura do cupim, se destacaram, repentinamente, em sua mjestade bovina, contra um campo de cana (hahaha...) e um céu azul calcinha.
Comecei, assim, a observar e a capturar a essência animal da escultura zoomórfica local, quase obrigatoriamente realizada em materiais plásticos, mas às vezes o gesso também serve. Pedra que é boa, praticamente zero.
Deve ser porque o plástico demora mais para desaparecer do meio ambiente e as possantes realizações faunísticas ficam, assim, um pouco mais eternizadas.
EM TODA SUA GRANDIOSIDADE
E ENIGMA.
Borges, morra de inveja, perante essa galeria de maravilhas, perante essa zoologia pra lá de fantástica!!!
O URUBU ARCO-IRIS, por exemplo, rara espécie tropical de urubu que tinge suas penas com as cores brilhantes de um papagaio.
Ou os Cavalos de Aço (ferrovelho da Anhanguera, km 250, lá no fundo... na foto, até parece que são dois cavalos fora de foco de verdade, mas é ferro enferrujado... ATÉ PARECE...).
Touros TODOS PODEROSOS Reprodutores se multiplicam, quase em cada esquina há um, com seus atributos ou vitimados pela guilhotina.
Com frequência, o bovino vem acompanhado de seu parceiro equino. Não sei se foi por acaso ou por destino, mas acabei esbarrando em um monumento estranho... um golpe de rabo romântico na fazenda... os dois túmulos dos eternos amantes Julieta e Romeu, a Égua e o Reprodutor com seus ricos atributos, por sinal uma representação patriarcal de fertilidade, para sempre dormem lado a lado,
ENQUANTO
uma suspeita se apodera de mim: onde está o
PRIMEIRO
VERDADEIRO
ORIGINAL
BEZERRO DE OURO????
Uma segunda horda animal invade o território, uma realidade zoológica ainda demasiadamente subestimada em sua força, presença & POTÊNCIA VISUAL:
SAPOS & RÃS & LESMAS artificialmente coloridas dedicam-se aos lazeres típicos de seu dia a dia: tomar banho de lua, despontar entre cogumelos tóxicos, praticar esportes.
De repente, estou na área dos "Grandes Felinos": o mundo foi colonizado por tigres, algumas até precisam de correntes nas patas, para não fugir.
No meio de todas essas "solicitações sensoriais",
percebo
O GRANDE ERRO DE BENJAMIN!
Sim,
WALTER BENJAMIN ESTAVA ENGANADO!
Pela galeria oferecida pode ser, com efeito, realçado que:
NENHUMA OBRA SERIALMENTE PRODUZIDA É IGUAL À OUTRA.
Nem naqueles casos em que a gente acha que É ÓBVIO.
Não há touro igual à outro. Não há rã igual à outra.
Observe-se a rã em posição deitada, apoiada, quase com gesto melancólico, ao braço direito, vestida de sua gravata listrada.
Ela aparece em duas imagens, mas... vejam e revejam, senhoras e senhores, a rã tem cores diferentes!
E o caso ainda mais "SUCULENTO"?
O TIGRE!
O TIGRE PELUDO,
de cavanhaque,
muito "macho".
Que diferença,
do tigre meigo e
um pouco delicado em seus gestos...
O que dizer, perante a confusão zoomorfológica entre um dragão (que poderia até trabalhar em uma loja de churrasqueiras, vai, ainda que revelando uma certa falta de respeito pelos fãs do Fantasy) e este
FANTÁSTICO EXEMPLAR DE CRUEL TIRANOSSAURO
alto quase dois metros, a não ser:
Divulguem um pouco mais a biologia e um pouco menos Discovery Channel!
Eu não sei o que pensar, quando me encontro em presença do COELHINHO PELUDO mais ameçador que já desceu na terra. Criatura evidentemente enganosa, que esconde, atrás dos grandes, grandes olhos lânguidos de clara inspiração dysneiana um espírito maligno. De uma visão do inferno, para outra:
O GOLFINHO PIRIPIRI!
Trata-se de uma instalação permanente, que pode ser (infelizmente) encontrada a caminho de Marililúland, meio oeste que mais meio oeste tá difícil. Ganha de Black Stream.
Então, a instalação é sabiamente iluminada por neón esverdeado (o bolor é natural e alimentado 24 hs por dia pelas gorduras de uma chapa).
A composição é interessante: um golfinho cospe, em uma piscininha, enquanto às suas costas (golfinho tem costas, mas não tem ombros) uma paisagem de montanha(????) domina o horizonte. Como não lembro do nome do posto, meu sub/in/consciente resolveu, em um ato sabiamente antropológico, que
UM LUGAR É SEU NOME.
Daí veio Piriri.
Enquanto observava incrédula & chocada o conjunto, consciente de sua importância e da necessidade de compartilhar tudo isso, meus sentidos ficaram aturdidos pela consistente nuvem de vapores de alho dos espetinhos de frangos consumidos em minha volta.
Eram duas da madrugada...
Eu, aqui em Black Stream, com toda essa bicharada, já estou procurando o uniforme de Indiana Jones...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

ANHANGUERA MON AMOUR: MICHELANGELO PERDIDO



Oi, bom dia, aqui vou eu, cheia de tristezas pela falta de cuidado com as grandes obras de arte esquecidas, nesse caso uma do grande arquiteto/pintor/ e escultor renascentista.
Só para refrescar as memórias de quem não lida muito com a história da arte...Entre 1520 e 1532 Michelangelo, que se encontrava em Florença, esculpiu quatro obras particulares, que deveriam ser utilizadas para o túmulo do papa, mas que acabaram sem uso quando o artista foi para Roma, em 1534. Quando o artista morreu, o sobrinho do artista doou as quatro esculturas para Cosme I Médici, cujo filho, Francisco I, as colocou para enfeitar uma gruta artificial.
Aí as esculturas ficaram até o começo do século XX, quando fora colocadas na Galeria da Academia.
As esculturas, chamadas de "Os Prisões", são conhecidas pelos nomes de "O escravo jovem", "O escravo Barbado", "Atlas" e "O escravo que desperta".
Essas esculturas têm uma particularidade: foram feitas para PARECEREM incompletas. As figuras gigantescas têm seu esforço "muscular" enaltecido pela tensão que a pedra não esculpida em volta delas proporciona: uma demonstração de "neoplatonismo" em que a pedra representa a matéria da qual esses homens, esses gigantes sob esforço, buscam desesperadamente se livrar. Assim como um conceito, uma idéia, precisa ser "retirada" do superfluo que a cerca e que é ilusório.
Esculturas, portanto, de grande valor simbólico, em que o artista acabou concentrando toda atenção no torso, dilatado para mostrar o esforço. Mãos e pés estão presos ainda na pedra, enquanto a cabeça e os traços se tornam secundários, permanecendo sem uma clara definição.
Muito bem, forte de minha bagagem de estudos sobre a arte renascentista, estou eu nos trópicos tropicais de Black Stream andando, como sempre, distraída por aí quando...

QUANDO DESCOBRI O QUINTO PRISÃO DE MICHELANGELO!!!!!

Como sempre, já que quando falo as pessoas me olham como se estivesse delirando, com ar de quem não está entendendo muito meus delírios, resolvi documentar direitinho, por meio de fotografia, a existência dessa escultura, UMA DESCOBERTA DESTINADA A REVOLUCIONAR A PRÓPRIA HISTÓRIA DA ARTE!
E aqui vai a demonstração de que NÃO ESTOU DELIRANDO, NEM MENTINDO, NEM EXAGERANDO!!!

Trata-se do QUINTO Prisão, denominado "JEFFERSON", e até poucas semana atrás estava bem visível na COFFEE AVENUE de Black Stream...
GRAÇAS À ESSA FOTO, única testemunha & documento da existência da escultura de Michelangelo, todos podem apreciar a força e o vigor varonil do Jefferson, tentando fugir da matéria, com os pés e as mãos ainda presos na matéria, o peito dilatado pelo esforço, o rosto e os traços indistinto....
INFELIZMENTE, a escultura foi secretamente removida, sumiu de um dia para o outro, foi roubada, em poucas palavras: suspeito que tenha sido roubada por alguém que, como eu, "descobriu" o valor ALTÍSSIMO dessa obra magUInífica do mestre que, hoje se descobre e NINGUÉM nunca imaginou, deixou vestígios por aqui...
Resta o pesar do desaparecimento e o convite PARA PROCURAR outros exemplos desse NÍVERRRRRR aRtíssimo de requinte & habilidade artística!
Bsus da FdP que não se aguenta, quando vê essas BELÊÊÊUSAS!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

ANHANGUERA MON AMOUR: O CIRQUE DO SOLEIL DOS SANTOS DO INTERIOR


UM AVISO:
Quem não gosta de IRONIA nem de SARCASMO;
Quem leva tudo MUITO a SÉRIO;
Quem diz NÃO SEI, mas também NÃO PERGUNTA achando (erradamente) que isso pode ofender;
Quem esqueceu ou ainda não sabe utilizar as FERRAMENTAS do ESPÍRITO DAS LUZES (que não é uma essência mística, mas uma visão de mundo e uma revolução humana realizadas em uma época histórica...);
Quem acha que TUDO ISSO É UMA GRANDE BOBAGEM;
EVITE LER!
Porque aqui vai uma "documentação visual" digna desse nome. Uma documentação visual sobre o grande nada que tem me obrigado, nos últimos anos, a olhar NÃO atrás do véu de Maya, pois nada há atrás desse véu, nesse caso... mas OLHAR, ENCARAR os detalhes do próprio véu.
Que não é bem uma obra prima das antigas rendeiras de Flandres, parece mais um véu de tecido sintético Made in China que chega em containers via Paraguay.
Acontece que, de tanto olhar, finalmente vi a trama e o urdido desse véu que, nada mais, nada menos, veio a ser
UMA TENDA DE CIRCO!
Sim, senhoras e senhores, a realidade em que viajo, entre Capital City e Black Stream, com os desvios nas laterais & colaterais acabou revelando
UMA GRANDE FEIRA COM CIRCO ANEXO & CONEXO!
Vejam se estou brincando ou não: fotografia, dizem as teorias, é documento de algo que existe.
Em primeiro lugar: o patrocinador dessa viagem é uma franquia.
Sim, de CONVENTOS.
Não sei explicar de outro jeito o carro que se materializou ao meu lado, no trânsito, um dia.
Aí, fui eu pela Anhanguera que, como se pode ver pelas imagens, é uma terra vazia, onde dois postes brancos nada significam. O céu é grande.
Finalmente me deparo com a realidade totêmica das enormes garrafas que convidam, em sua exibição exagerada, obscena, a não beber muito não, a exercer uma certa... MODERAÇÃO. Nonsense total.
SINGULAR.
Não posso me esquivar de pensar como um DESPACHO em uma estrada de chão batido reflita, com efeito, a possibilidade de usos diferentes & alternativos da cachaça.
A essência poética do carro da franquia de conventos me GUIA ao encontro de muitos santos, um verdadeiro cortejo que aparece em altares de grutas, pés de cruzeiros & de Cristos. Todos os santos, budas & orixas, em alegre companhia.
TODOS QUEBRADOS.
Praticamente, os cruzeiros são que nem a coleta seletiva de lixo: tem plástico, papel, lixo orgânico... e tem santos, prontos para a reciclagem.
Mas a pergunta que não quer calar: POR QUE DEGOLAR OS SANTOS?
E mais uma pergunta: por que tem um garfo no lugar de Cristo, na cruz? Será que simboliza a qualidade da cozinha da última ceia? Tipo guia Michelin, ou Quatro Rodas, um garfo, dois garfos, três garfos...
Aos pés de um outro cruzeiros, que tem luzinhas tipo natalino, mas ficam apagadas, têm um monte de copinhos de plástico, para chamar a chuva, ou para afogar os santos, ao gosto do freguês.
Andando pelas SP 330, 334 & outros números, vi um monte de Cristos tipo Cristo Redentor do Rio versão "bola-de-cristal-com-neve", só que sem bola de cristal e sem neve.
Bem estranhos. GRANDES.
E menores.
E foi aí que percebi!
ENTENDI!
Sim, entendi porque todos eles ficam de braços abertos.
NÃO É como o Cristo do Corcovado!
É OUTRA história.
E tem a ver com Little Prairie (A.K.A. Sertãonzinho). Narra a lenda que, em Little Prairie (A.K.A. Sertãonzinho), resolveram "montar" um Cristo maior que aquele do Rio (uma competição tipicamente masculina, Freudiana, já que se trata de "tamanho é documento").
Enfim, começaram as obras, mas já forma interrompidas... os gênios fizeram a base pequena demais, e haja agitação de braços desse pobre Cristo, ia cair pra frente!
Assim reparei na minha pequena coleção de Cristos e descobri: se trata de EQUILIBRISTAS!
Reparem: um deles está em pé "milagrosamente" no auge do arco que o sustenta. Milagres da engenharia. Um brinca no meio das antenas: é um Cristo interativo. Não sei se transmite também.
Inquietante: uma das antenas na frente dele é uma estrela de Davi! Encontro ecumênico no éter ou disputa teológica?
Não somente Cristo brinca de equilibrista, o Homem de Lata de Oz(eus) (A.K.A. Assis) está preste a mergulhar (as soon as alguém colocar a piscina!). Reparem: a base que sustenta a criatura feita de latas (???) É UM TRAMPOLIM!
Por outro lado, o HOMEM DE AÇO (NÃO o Superhomem, o outro, o Ferro Velho da SP 330), que levanta uma coisa estranha na mão direita (uma esfera armilar? Me parece ousado...) tenho certeza que aos pés tem coisas "TIPO" patins.
Segue uma amena Virgem Estilita, também se equilibrando com suas vestimentas em cores adocicados em uma curiosa coluna. Mas é um equilibrismo de segundo escalão: coluna é bem grande, assim eu também consigo...
Como em todo circo que se respeita, temos os freaks: eu não saberia dizer se o que fotografei é uma sereia ou uma agua viva com torso e cabeça de mulher e A Curupira. Friso no A.
Porque aqui a versão é a FEMEA da Curupira: está usando uma saia havaiana e a parte superior do biquini. Estou pasma! Curupira é uma Entidade Superior (A.K.A. Divindade) a serviço da Polícia Ambiental. Ela apavora e persegue aqueles que destroem à toa o mato e suas criaturas, certo? Então ela deve dar um medinho, tipo quando o guarda rodoviário para a gente na rua. Também a fêmea de Curupira, então, deve ter uma aparência de "autoridade": então, de onde vem esta versão entre Botero e Homer Simpson? É simpático um policial em serviço? E então, seguindo esse raciocínio, essa Curupira é um desacato à autoridade!
Seguindo as andanças, um descanso entre as ruínas: todo mundo gosta de uma imagem romântica, e quem sou eu, para não usar dessa retórica?
AS RUÍNAS: uma velha estação fantasma e uma ponte enferrujada que não leva mais a lugar nenhum. FECHADA. FERMÉE. CLOSED.
Língua nagô no meio do mato, e depois
PEDAÇOS DE GENTE de plástico amontoados, enquanto um estandarte se esconde na noite do canavial...
Deparei-me com um capacete brilhante debaixo do sol: será o capacete do Magneto? Ou do Homem de Ferro?
De quem quer que seja, as armas estão apontadas para o céu...
Depois vem uma "coisa" alegórica tridimensional, retórica, mas tão retórica que é o óbvio do óbvio: Trabalho, Família, Religião em versão "durepox gigante". O resumo do lugar, A.K.A. Macondo (uma das muitas).
Viro o olhar para outras monu/mentalidades no mínimo circenses, como as duas dançarinas. O que elas tem nas mãos, um hot-dog?
O que me resta dizer? Tem também um explorador vestido de Indiana Jones que olha um navio no horizonte (tipo piratas do Caribe).
Encontro também o movimento neobarrocopósmodernofuturista em uma escultura que, me seja permitido, chamaria de "O exorcismo".
Um dia alguém vai traduzir os dois enigmas que seguem:
A página de ideogramas.
A ESFÍNGE. Reduzida a ANIMAL DE CIRCO? FERA DOMADA, terá ainda
O ENIGMA, ESSA ESFÍNGE? Eu sei o que ela vigia.
De rabo entre as pernas.
Vigia o estacionamento lotado do Shopping nesses tempos de crise.
Uma visão muito mais cemiterial do que um cemitério.
CARROS.
UM CARRO.
ESSA NOSSA DIVINDADE.
GRÃO FINAL!!!!!
.... TAMBÉM NOSSAS DIVINDADES MORREM....
Bsus da FdP!















terça-feira, 21 de julho de 2009

O DOMINGO DAS FADAS OU: FADAS DE BODE!

No final de semana deixei Black Stream para ficar em Capital City e visitar meus fiéis escudeiros, meus gatos de guarda.
Para entrar em casa, como sempre, tive que pedir licença para minha Primavera Anã Gigante, que durante minhas estadias em Black Stream sempre estica os galhos cheios de espinhos, repelindo, assim, os visitantes não desejados.
No domingo fui dar uma volta em busca de verde, de paz e de tranquilidade. Evitei, portanto, os parques lotados de Capital City, onde a multidão festeira atrapalha um pouco meus pensamentos, para encontrar o que procurava em um canto da cidade onde todas as fadas acabam se encontrando: O RED FAIR DISTRICT. O bairro da Fada Vermelha fica atrás do portão que está na primeira foto.
Fotografar fadas sem seus disfarces humanos é um exercício difícil, que exige muita paciência. Além do mais, fadas sem disfarce são muito rápidas em suas metamorfoses. Consegui, apesar das dificuldades de registro EM FILME, fotografar algumas delas, é claro, em sua aparência de fada como os olhos/lentes humanos conseguem capta-la.
Por favor, reparem: as fadas com asas NÃO SÃO ANJOS!!!! É claro que se trata de fadas: onde já se viram anjos com tetas? Quando uma imagem mostra um anjo com tetas, podem ter certeza que foi uma fada que entrou no meio. Uma daquelas com asas. Porque nem todas as variedades de fadas tem asas! E as que têm, nunca conseguem se integrar socialmente, nem com disfarce humano: elas tem uma aparência por muitos julgada "inquietante".
A maioria delas estava dormindo, ou tinha acordado havia pouco tempo: claro, domingo de manhã, o que se espera? Algumas estão de bode, outra parece que está sofrendo, mas na verdade está acompanhada por alguma criatura "invisível" e tirei a foto de um momento muito íntimo... sorry, erotismo involuntário... Uma está ligando do celular, dá para ver, está agachada, mão ao ouvido, conversando.
Há uma fada criança, muito luminosa: acabou queimando o filme. As duas fadas adolescentes estão, como toda boa adolescente, amuadas. As fadas mais "maduras" não renunciaram à elegância, enquanto passeavam pelo bairro.
O bairro pode ser visitado, mas somente os convidados e as outras fadas conseguem enxerga-lo atrás dos altos muros que o escondem e do disfarce humano colocado para dissuadir eventuais invasores & curiosos à toa!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

EXPOSIÇÃO TEMPOPERMANENTE: MAPA PSICOGEOGRÁFICO DAS OBRAS.

Esta exposição urbana começa quando o horário comercial acaba.
Começa quando os portões e as grades encerram as vitrines em um abraço blindado.
Quando os carros rareiam e os andarilhos se recolhem.
Dizem as más línguas que a cidade é perigosa. Sempre. Mas à noite, é pior, muito pior. À noite o lobo mau sempre está à espreita, com suas máscaras de ladrão, estuprador, assaltante. Na verdade, eu, Fada de Preto, acredito que, acima de tudo,
O LOBO MAU ROUBOU A NOITE!
E é a noite que esta exposição acontece, quando as obras de uma centena de artistas de escolas, atitudes e talentos BEM diferentes se confrontam, depois do por do sol, nas telas de pedra e de metal que a cidade oferece. Uma exposição temporâria, pois só acontece de noite, e porque as obras são, frequentemente, retiradas do local.
A percepção de que a exposição estava rolando transformou a Fada de Preto em arqueóloga urbana, pois a notícia não foi noticiada pela imprensa local: tornei-me a primeira FdP a DOCUMENTAR TODOS os "AFRESCOS" no melhor estilo pompeiano hiper-realista. A primeira FdP a oferecer o mapa/catálogo da exposição.
Não sei porque não querem que a população local e os turistas eventuais conheçam e desfrutem dessa riqueza.
Para favorecer o FLUXO DE INFORMAÇÃO, com eventual AUMENTO DE CONHECIMENTO por parte do usuário, organizei as obras de maneira temática ao longo de corredores e esquinas que, idealmente, excluem o que está atrapalhando a visão... poder da tecnologia e do cerebelo da Fada.
Como toda exposição que se respeite, vocês, visitantes queridos e públicos curiosos, estão aqui, convidados ao LANÇAMENTO desse CATÁLOGO de PSICOARTE, desse MAPA PSICOGEOGRÁFICO da ARTE MURAL local.
Aproveitem a viagem: vocês estão, agora, entrando na galeria do Museu de Arte da Fada de Preto, recebidos por uma inteira orquestra escocesa (Kilt incluído no Kit).
Imagens de objetos cobiçados aparecem nas paredes, violentas, coloridas, energéticas, ridículas... cada carro & moto com placa VD (Vin Diesel), tem uma correspondência em uma farsa, uma piada de Keith Haring à espreita em todo lava rápido.
O Tromp l'Oeil domina a representação das máquinas. Microondas, condicionadores de ar, aquecedores solares e tanquinhos flutuam em um espaço paradisíaco azul calcinha.
Ninguém repara na pequena jóia gráfica das duas miniaturas bi-cromáticas da maquita e do extintor branco.
Assim como poucos admiram o talentoso artista que destaca uma escada (para o céu? par o teto? para a lua?) preta sobre um fundo amarelo, emoldurado por vermelho e azul... o mesmo artista que ilustra os instrumentos de trabalho desenha, como uma sombra, o homem, o trabalhador, aqui reduzido à mão de obra explorada que representa.
Algumas obras estão assinadas, muitas, assim como na Idade Média acontecia, são anônimas, o resultado de uma jornada de aprendizagem com algum mestre, também desconhecido.
Vale a pena destacar a pintura VELAS? de anônimo, para reconhecer a habilidade em simular a continuidade de um objeto em um espaço descontínuo, no caso o canto do pilar. Outras pinturas revelam a mesma habilidade, como no caso de BAR DO IVAN.
Dobradiças gigantes se alternam a gigantescos cadeados, e a máquina de costura decora o plano como um elegante bordado de moça de internato de freiras...
Tudo isso, enquanto criaturas abomináveis, surgidas de pesadelos infantis, adquirem vida e nos perseguem: chaves de boné, buracos da fechadura de tênis...
Mas eis que de repente, em um dos espaços expositivos, surgem as ROSAS sagradas das catedrais medievais, as MANDALAS místicas do budismo: são as pizzas abstratas, coloridas, que nos devolvem essa forma primordial do círculo radiante, imagem fortemente solar, símbolo do ciclo das estações.
TIM, O SORVETE MAIS SENSUAL da cidade, derrete suas ubertosas formas em uma parede verde & rosa, enquanto a interpretação do KUAT revela, na cobra verde que se torna mão ávida, a metáfora do capitalismo Coca Cola.
A série Carunchão é ambiciosa: um tríptico, composto por FORTE (Fortaleza, a virtude cristã), VITÓRIA e GUERREIRO (como tal carrega a espada salomônica da Justiça, outra virtude cristã). Ao lado do tríptico, as outras quatro virtudes atualizadas para um público contemporâneo, que aprende, assim, a dar uma boa educação para os filhos terem sucesso (e se tornarem ricos):
Andar de Skate
Jogar Tênis
Jogar Basquete
Jogar Futebol
(aliás, esse feijão tem cara de Ronaldo, o que pode, provavelmente, ajudar os historiadores da arte a estabelecer uma data aproximativa para a obra).
As Naturezas Mortas enriquecem essa exposição absolutamente mágica, uma cidade diferente que se descortina com esse por do sol ofuscado pela poeira roxa eternamente suspensa no ar.
São Naturezas Mortas com comidas, bebidas, frutas, dignas do cânone clássico da arte. Novamente, cito aqui o BAR DO IVAN, pois a habilidade ilusória do artista chega à eliminação do canto do pilar que, magicamente, "desaparece" debaixo da cestinha de fruta.
Uma das obras mais interessantes é, a meu ver, o quadro abstrato colorido, que me lembra muito a Tarsila do Amaral da tela GAZ (com um bocado de maquinismo à la Leger).
Um dos artista retoma o estilo da escola francesa da gravura enciclopédica, com detalhes didáticos e, todavia, leves e agraciados: as botas, os cornos, o chapéu de cowboy, a sela, a corda azul, tudo remete também ao fantástico mundo selvagem do VELHO OESTE.
É O VELHO OESTE!
Mas ele já se esvai em uma avoada açucarada de bixigas coloridas, quase um trabalho de Miró, que logo deixa o campo para uma cachoeira de flores, diretamente importados da Viena Fin-de- Siècle na beira do modernismo de Klimt e da loucura freudiana. Não precisa ir para Viena, para conhecer, está aqui, nessa exposição, assim como a PALMEIRA inspirada em Gauguin e, ainda, a esplendorosa sequência musical (sempre Tromp L'Oeil) que "paquera" a DANÇA de MATISSE.
Psiquedélico é o peixe que carrega no ombro (pardon: na nadadeira) um verme que nos mostra, irreverente, a língua, enquanto um certo expressionismo se encherga na visão de vaca da pintura FRIPHÓS (COM CERTEZA um nome GREGO, FRIPHÓS, ligado a alguma divindade bovina & equina.
Uma atestação de sacralidade sacrifical ao animal totêmico da mesa local que contrasta, de maneira não dissonante, da aparência singela e honesta do porquinho Big Frios (será esse o Porquinho Zero do "porquicídio"?).
Uma VACA VIGILANTE aparece no alto de uma casa, de dia percebe-se o olhar maldoso do bicho, enquanto desfilamos pela PAISAGEM ALPINA que ocupa vários metros de paredes, medindo pouco mais de 50 centímetros de altura.
Mais inquietante ainda, de uma inquietação metafísica bem no estilo De Chírico é o FRANGO DENTADO. O que o artista quis dizer, com essa imagem críptica, que nem os frangos são solidários, e que se matam entre si? É o retrato de um PSYCHOCHICKEN? E se eu encontrar um frango com todos esses dentes, eu tenho que fugir gritando "Socorro, franghomem!"? Mas amei o mistério por baixo da provocação da obra.
Os lápis coloridos marcharam brilhantes sob minha objetiva que estava, diante da inauguração da exposição, faminta de cores e de brilhos.
GUARDA CIVIL, por outro lado, se mostra uma obra francamente pouco atraente e não merece destaque nenhum, pois repete a morfologia e a sintaxe da arte acadêmica feita de latim e retórica, uma obra em estilo POMPIER que poderia ter deixado espaço a algum artista mais ousado.
Na exposição ainda há cachorros ferozes e malhados e, É CLARO,
A CANA.
A DEUSA CANA. Na exposição ela estava como uma bandeira japonesa da época de guerra, gloriosa conquistadora de novas terras...
Uma versão tropical-situacionista das perversões sutís um pouco pedófilas de BALTHUS está na obra em estilo primitivo VAGAS P/ MORADIAS em que o vestidinho curto demais da Mônica deixa entrever uma calcinha rendada.
Mais personagens felizes, de polegar para cima, flutuam nas paredes da exposição quando,
de repente
uma obra
nos tira o folego: no escuro, uma gigantesca parede amarelada.
O desenho de uma cerca de rede e arame farpado.
Um homem completando a instalação da cerca.
Tamanho natural.
Genial, opressivo, bem ARBEIT MACHT FREI.
No final da exposição, enquanto uma SENHORA REDONDAMENTE BOTERO rola ao lado, um pessoal toma um gole de cerveja, outro canta, enquanto as mulheres sensualmente tortas de Schiele se revelam na parede...

A EXPOSIÇÃO foi realizada como evento que inaugura o semestre da II EXPOPANGUÁ.

ESTAMOS TENTANDO GANHAR UMA GRANA, COM ISSO, ENTÃO PRESTEM ATENÇÃO:

DURANTE O SEMESTRE HAVERÁ VÁRIOS EVENTOS CULTURAIS.
TENTAREMOS ORGANIZAR VISITAS MONITORADAS (ALUGANDO UMA PERUA?) À EXPOSIÇÃO!!!! SÓ PRECISA VER SE HÁ UM NÚMERO SUFICIENTE DE INTERESSADOS...

FIQUEM LIGADOS, É UMA OPORTUNIDADE ÚNICA DE CONHECER AS MARAVILHAS MÁGICAS DE RIBEIRÃO PRETO.
Aproveitem, então, nosso mapa/guia/catálogo audiovisual!

P.S. As fotos são da Fada de Preto. Que conseguiu andar pela noite adentro na exposição porque teve uma parceria perfeita com a MOTORISTA, que teve a paciência de acompanhar nesses lugares encantados que são, principalmente, a Avenida do Café, a Avenida da Saudade e seus arredores. Em Ribeirão Preto todo surrealismo é pouco, É CLARO?
















quarta-feira, 1 de julho de 2009

ANHANGUERA MON AMOUR: O QUE A CANA DEU.


A “luz do Interior” me ilumina, de Campinas até Ribeirão: com toda essa luz me cegando que nem a “cegueira branca” do Saramago, acabo juntando coisas tão distantes entre elas que no final o que vejo é um verdadeiro patchwork. Bem neobarrocoposmodernofuturista

O problema, em toda essa “juntação” (sei que não existe essa palavra, mas não encontrei uma que melhor ilustrasse o que acontece viajando pela SP 330), é que entre um caminhão e outro e entre uma cidade alienígena e outra só têm canaviais. E mais canaviais. E depois, tem canaviais. É muita cana. Esse é o problema: cana, cidade, cana, cidade, cana, cidade. E depois de Ribeirão, e em volta de tudo, cana, cana, cana...

E tornar a cana algo interessante não é lá uma das coisas mais fáceis no mundo. Com a cana de açúcar se faz açúcar. Com a cana de açúcar se faz combustível. É meio-oeste. E meio-oeste no Estado de São Paulo acabou se misturando, no começo, com o Kansas de Dorothy.

É a fronteira:

boring/kitch/camp/transreal.

É Espaço da Grande América.

Minha Route 66 é a SP 330.

Minha Kalifórnia é tropical e Província-até-Macondo.

Não tem mar, no fim da estrada que, para mim acaba no nada sem lei onde conflitos rurais estão fora de meu alcance. Nada de Hollywood. Faltam mitos & mitologias. Sei lá... “depois” tem bichos exóticos: o Pontal de Paranapanema (pará-pará-pará-pará-pampam!), é terra de Indiana Jones. Um lugar que chama Presidente PRUDENTE é praticamente um alerta que pisca na noite. Eu já não tenho mais idade para tanto esforço físico e sou um pouco covarde, então fico “antes”, pois tenho um pouco de receio em ir até “onde os fracos não têm vez”.

Limito-me ao preguiçoso exercício de “fluxar”. Que acho ser o verbo que encarna a evolução última do “flanêur”, que andava a pé, vadiando, pela cidade moderna. Depois veio a “deriva’ situacionista, feita por andarilhos pós modernos que descobrem as ruínas da modernidade em uma abordagem “waste”, que não é a mesma coisa do trash, esse último envolvendo um ato voluntário de exagero grotesco. O waste é o mundo do que entendemos mesmo como lixo, amontoado de palavras e coisas perdidas no abandono e na explosão de usinas e periferias e cidades superlotadas e minas a céu aberto como nas fotos do Salgado.

E agora, o FLUXO, a observação através da FLUXAÇÃO. O fluxo é deixar que ao waste se una o trash. O resultado é um mapa onírico de “coisas” cuja falta total de sentido, cujo deslocamento con/textual é tamanho que só deixa espaço para as fábulas criadas nesse andar a quatro rodas por uma rodovia que, sem inventar fábulas, seria somente boring, boring, boring.

Depois do pós-moderno, se eu pudesse escolher (com ato canhestro de marketing rasteiro) um rotulo para essa era que o século XXI inaugurou seria “eternal boring”, “fastio eterno”. E as fábulas são o eterno remédio contra o tédio.

Seguindo minhas dicas de FLUXAÇÃO não sentirão mais fastio, nem tédio. E depois disso, o mundo nunca mais será o mesmo. A satisfação é tão garantida que nem devolvemos o seu dinheiro (ninguém aqui é besta!).

Enquanto os dias, meses, estações, anos passavam, eu com eles (ficava passada) ao longo da SP 330, eu vi muitas, muitas coisas acontecendo.

Vocês não imaginam. Não podem nem saber

O QUE BROTA DA CANA.

Mas eu quero, aqui, deixar minha TESTEMUNHA: O QUE BROTA DA CANA É UM BARATO!

SP 330 – melhor conhecida como Anhanguera - entre São Paulo e Ribeirão: uma aventura no Reino de OZ, nos horrores de Stephen King, nas razões reais e materiais da riqueza & da miséria, material como moral e espiritual de um Lugar Incerto e Não Sabido: um recorte casual do interior do Estado de São Paulo. Lugar tão significativo que no Google Earth está com poucas, pouquíssimas, excessivamente raras fotos.

SOU A FAVOR DA PLATAFORMA COLABORATIVA WEB 2.0. Então lanço aqui a primeira pedra (taco uma pedra na cabeça de alguém), alicerce de um futuro cheio de enriquecimentos antropológicos & fotográficos: VAMOS FOTOGRAFAR MELHOR A ANHANGUERA, VAMOS DEIXAR VESTÍGIOS SURREAIS NOS MAPAS!

Com algumas esticadas & repuxadas & desvios por veredas próximas e distantes, como desdobramentos de caminhos insanamente lúcidos rumo Marília, ousando penetrar os exóticos mistérios de Assis e, apesar do risco que isso pode representar para a estabilidade emocional de qualquer ser humano minimamente razoável, até Londrina (nôôôssa, ôia o piriiiigo!!!!).

O QUE BROTA DA CANA.

É um sumo volátil. Não é cachaça, não é combustível, O QUE BROTA DA CANA. É algo que alucina, gente, alucina, porque se não alucinasse, não existiria explicação pelo que encontrei & encontro “fluxando por aí”

ANDAR PELA ANHANGUERA & “ARREDORES” É:

COMO TOMAR A PÍLULA DE MATRIX. Aquela que atravessa o espelho.

COMO ENTRAR NA TOCA DO COELHO DE ALÍCE. E encontrar o País das Maravilhas.

COMO ESTAR EM UMA ÁREA PRÓXIMA DAQUELA QUE PODERIA SER A HOGWARTS TROPICAL. Alguns fenômenos só se explicam se aceitarmos que existem coisas como Curupiras, Berradores e Sacis.

Ainda, O QUE BROTA DA CANA:

1) Não encontrou um Van Gogh tropical, isso é: alguém capaz de interpretar as matizes das cores desse espaço geográfico fortemente simbólico. Tenho alguns “esboços de idéias” sobre essa coisa de ser simbólico, aliás, basicamente é tudo uma grande viagem sobre isso.

2) Não encontrou um Balzac ou um Flaubert tropicais que tivessem a crueldade e a habilidade de contar os pecados execráveis da província local.

3) Não encontrou um Stephen King que relatasse em contos de monstros, horrores & terrores os detalhes d’ O QUE BROTA DA CANA.

4) Não encontrou um Gabriel Garcia Márquez, capaz de aprofundar os mistérios das muitas, muitas Macondos que florescem entre a Anhanguera e o País das Maravilhas/Terra de Oz que por aqui afloram a todo instante.

Exemplos? Dêem uma volta por nomes irresistíveis como Analândia (paraíso turístico do rapazes de Ponta Grossa?), Penápolis (perto de Patópolis?), Batatais (Camp Potatoes?), Delfinópolis (estância serrana de colônias de mamíferos marinos simpáticos e sociáveis? Lugar onde se mudou o oráculo de Delfi quando aposentou?).

Passem ao lado de placas que apontam, sedutoras, para misteriosos lugares que é melhor não conhecer para não ficar decepcionados. Por exemplo: CACHOEIRA DE EMAS, lá em Pirassununga.

Embebedada pelos miasmas do bagaço da cana que o vento carrega para longe da “usina de processamento” (seria essa a evolução do engenho da cana?) para fabricação de ESPÍRITOS, alucinando na frente dos totens de garrafas king size, vejo há dias, meses, estações, anos etc, etc, uma placa rodoviária indicando a saída para

UMA CACHOEIRA DE EMAS!

Dá para imaginar algo mais interessante que isso?

Imaginar uma CACHOEIRA cheia de bichos, cheia de EMAS, que devem fazer um barulho grande, caindo... e de onde vêm o abastecimento de emas? E para onde vão? Têm represa de emas? E, principalmente.... POR QUE NINGUÉM NUNCA DISSE/CONTOU/DESENHOU a CACHOEIRA DE EMAS?

Agora... como tenho medo de fortes desilusões, não vou checar. Vai que os emas se machucam, quando chegam ao fundo, e por isso ninguém conta da cachoeira, é muito sangrenta (e CADÊ o Stephen King tropical?????).

Moral da história... contei minhas descobertas por aí, mas como eu não sou Van Gogh, nem Balzac, nem Flaubert, nem Stephen King, nem Márquez, só posso é dar umas “dicas para viagens alucinantes” para quem quer penetrar de maneira diferente a “Quinta Dimensão” da Anhanguera & Cia.

Serei

o Baedecker do interior,

o Quatro Rodas da margem surreal da rodovia (A terceira margem?),

o google HEART antropo-sentimental

de um espaço inclassificável nas categorias estéticas conhecidas.

Quando eu crescer,

Serei uma “pequena Baudrillard” dos trópicos...