sábado, 5 de setembro de 2009
EM TEMPOS DE CRISE...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
FOLHETIM EM UM CAPÍTULO SÓ.
Sábado, noite. Está na hora de ir, sair, se divertir. Mulheres, me aguardem, pensa na frente do espelho. A cidade é um território de caça. As mulheres estão lá fora, só precisa se arrumar com a roupa certa para a caçada. Arruma o cabelo, parece um iguana, com a crista cheia de gel, piercing nas orelhas, piercing no nariz. Parece o cow-boy da terra de Marlboro. Parece, parece, até parece. Camiseta branca, manga curta, enrolada, tatuagem a vista no bíceps, calça jeans e botinas, ultimo controle, um beijo para si mesma e a porta se fecha, deixando os medos em casa. De alma mais leve, na calada da noite.
A bicicleta entre as pernas, pedala rápida, excitada. Só mulheres, mulheres, já se imagina cercada por figuras etéreas, elegantes, vozes e risadas, perfumes e curvas. Chega logo, chega logo ao local. Nome do local: “O interior da Picanha”. Tosco, eu sei, mas fazer o que?
Quer mulheres que te querem?
“O interior da Picanha” é onde elas estão. Coisas da cidade. Pouco românticas na aparência, espera-se melhoras na substância Afinal, não é o nome que importa, certo? Desce da bicicleta. “O interior” está aberto, um fio de fumaça já alerta que os espetos estão no fogo. O cheiro é enjoativo, verdadeiro filé miau, mas a brisa está a favor de quem encosta no balcão. Lugar vazio.
A moça do bar: novidade que sorri e coloca um chopp na sua frente. Olha em volta: ainda é cedo, espera-se que a amostra não seja significativa: uma mesa ocupada por um grupo de bulldykes já no numero X da cerveja. Risos roucos de cigarro. Bem que ela um pouco as inveja: elas arrasam com as héteros, que tão héteros não devem ser, mas aí, também é muito complicado, para seus sonhos, ficar pensando em tudo isso... Ela só quer um corpo quente que queira se sentir melhor junto ao seu.
Mais um chopp, a garçonete novata sorri e oferece um cigarro. Distraída, agradece, enquanto checa a entrada. Algumas conhecidas, sorrisos distantes, e aquela moça, puxa, acha que um dia a paquerou, mas nunca esteve tão certa, então não arriscou e agora a moça namora a Fulana que já foi namorada da Beltrana... Tristeza, nada de novo. A musica também não ajuda, meio óbvia e lamurienta, com expressões requentadas, e nada requintadas, de dores infindáveis de cotovelos.
Mais um cigarro, mais um gesto distraído para a novidade no serviço: moça linda, de sorriso aberto, profissional no trato, super fashion... deve ser a namorada de alguém, pensa, a máfia lésbica da cidade não deixaria uma belezoca assim trabalhando nesse lugar sem “proteção” especial, alguém ciumenta e grande em tamanho deve estar vigiando. Uma namorada que regula os sorrisos e os papos possíveis. Ufa.
A noite de tanto entusiasmo já não é mais a mesma, parece que os vapores grudentos do filé miau já impregnam até pensamento. Pensa: “gracinha”. Pede: mais um chopp. Só pelo gosto de vê-la se mexer, de sentir a sua atenção, sobre a pele. Ainda que profissional. Ahi ahi, a noite não está com nada, era outra idéia, de encontrar um milagre...
Mas um milagre no “Interior da Picanha”, bom, somente nos sonhos, e esta é realidade, esta é a cidade, e a musica é de beber mais e as mulheres já estão acompanhadas, e as que não estão, meu deus, nada a ver com ela, não gostaria de encontrá-las sozinha em um beco escuro... Por quanto atire poses de moderninha, ela é nativa da cidade, o que implica em uma dose maciça de idéias muito erradas sobre quanto a aparência coincide ou não com a realidade, como já deveríamos ter entendido na identidade entre o nome e o ambiente desse barzinho chamado “O interior da Picanha”. Como dizia o Barão de Itararé, de onde menos se espera é de lá que não vem nada... Um dia vai aprender, mas não hoje, não, hoje só queria... mais um chopp. E já perdeu a conta, a cabeça fica leve e um certo enjôo já toma conta do aparelho digestivo. Levanta os olhos e “gracinha” sorri, compreensiva, e coloca um copo gelado de Coca e limão na sua frente.
Maravilha de profissional, pensa, ligada sempre no freguês. Com os olhos semi-cerrados para governar os chopps que ameaçam subir até as orelhas, admira o gingado da moça que se afasta lépida em direção oposta. “Gracinha” é bonita sim, quem será a sortuda que atualmente governa e/ou é governada por tanta graça?
As horas passam, talvez transitem, mas nunca vão voltar e, aos poucos, o lugar se esvazia. Só sobram ela e as garçonetes, que retiram mesas e cadeiras, que trancam as portas e desligam as luzes. Encostada no balcão, pergunta-se como conseguirá manter a dignidade no momento em que abandonará o banquinho que a sustenta. Aliás, quase quer perguntar se pode ficar aí para dormir. Percebemos, aqui, o quanto está bêbada, não consigo imaginar como vai pegar a bicicleta e chegar em casa, parece que “gracinha” também tem as mesmas minhas dúvidas, as nossas dúvidas e, com aquele gingado, com aquele sorriso, uau, se aproxima e a segura pelo braço, enquanto a ajuda a seguir pela porta. Ela se apóia, bêbada, oh, quão bêbada está, sente o calor de “gracinha”, que tem um carro, portanto sabe dirigir, mas não pergunta para onde, e dirige na noite da cidade, e ela quer que isso não acabe, ah, está muito bom, o vidro aberto, o ar, se sente bem melhor. Mas isso acaba sim, senhoras, e chegam, e nós com elas, à casa de “gracinha”, é escuro e não consegue ver como é a casa, deve ser bonita, mas só quer um Sonrisal, uma água tônica e deitar com ela ao seu lado.
Estranho é que não chega a dizer nada disso, pois tudo está acontecendo desse jeito. Como: “está acontecendo”, nem falei, mas ela está tirando minha roupa, pensa, e eu estou tirando a dela, e esta pele macia, e este sabor gostoso, e suas mãos que buscam, e minhas mãos que encontram, e de repente, feliz e satisfeita adormece e esquece.
Manhã. Abre um olho, abre o outro e não sabe muito bem onde se encontra. Mas seu esquecimento é rápido, já voltou tudo e enquanto tudo volta, “gracinha” acorda e sorri, a beija, levanta e faz o café. Com a bandeja na mão, chega, muito profissional e, sorrindo, pergunta: “Aposto que você nem sabe meu nome, não é?”.
Ela baixa o olhar, o sangue sobe às faces e, em um sopro, responde: “Não”.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
O GRANDE ESPETÁCULO.
Senhoras e senhores:
Tomai seus assentos. Em seus sofás ou poltronas favoritos. No banco do parque ou na cadeira da praia. Muni-vos de suas bebidas preferidas, chá, café ou cerveja que seja. Preparai-vos um prato com seu lanchinho gostoso. Dêem-nos seus olhos e seus ouvidos. Porque esta, senhoras e senhores, é a assustadora & tenebrosa
MULHER QUE MORRE TODA MANHÃ.
Sua execução sempre é marcada no mesmo horário. Pela manhã, às 5, como todos os dias, os guardas destrancam a porta de pesado metal. Ela vai ouvir o ruído da tranca pela última vez, mais uma vez. Será levada para fora, dois homens na frente, dois homens atrás, marcando seus passos como uma marcha temperada pelo tilintar das correntes.
As mãos acorrentadas, os pés acorrentados, rumo àquele muro onde todo dia, há mais de um século, seus olhos são vendados. Depois, com uma ordem seca, os fuzis disparam. Ela cai, devagar, até não existir mais.
O corpo será recolhido em uma maca estreita, coberto por um lençol e levado de volta à cela. Cela onde, com o por do sol, abrirá novamente os olhos. De novo, ao anoitecer, os guardas levam uma bandeja de comida farta, sua última ceia solitária. Mais uma vez, será a última.
Senhoras e senhores, não tem truque, hoje o grande circo elétrico vais mostrar novamente todos os passos dessa mulher. Um reality-show de grande sucesso: na cela várias câmeras permitem que vocês observem todos os movimentos da última noite dessa condenada. Com o simples gesto do controle remoto interativo, vocês podem aproximar detalhes ou manter uma visão mais geral do espaço.
Podem observa-la enquanto conta as horas que faltam para sua execução. Podem concentrar seus olhares sobre o cobertor puído, ou sobre as trincas do piso de concreto. Se preferirem, podem se deleitar com as grades enferrujadas da janelinha pela qual ela não pode olhar, pois é alta e estreita. O beliche onde ela deita range, e com o ajuste do áudio vocês poderão até criar uma atmosfera sensual. Tudo é possível, nesse nosso maravilhoso circo elétrico.
Público gentil, talvez vocês se perguntem: qual é a razão dessa mulher ser incapaz de morrer? Muito bem, estamos aqui desejando sua diversão e tranqüilidade, e é com grande prazer que respondemos a essa sua pergunta. A razão dessa maravilha reside em um fato simples e, todavia, de grande complexidade. Essa mulher possui certificados de imortalidade assinados pelos maiores luminares da ciência e da medicina, membros das Reais Academias científicas de Noruega, Suécia e Dinamarca. Mas também de Lichtenstein, de Andorra e Monte Carlo. Todos os estudiosos, cientistas e médicos concordam: essa mulher não pode morrer porque ela, senhoras e senhores, é uma aberração da natureza, uma criatura única. Ela, senhoras e senhores, possui uma pedra no lugar do coração. Pois bem, público estimado, onde vocês poderiam ver criatura tão monstruosa, mulher sem barba nem bigode, de aparência comum e, ao mesmo tempo, tão incrível e digna de exposição aos olhares do mundo, aos seus olhares, pela misera quantia de uma mensalidade irrisória? Sim, senhoras e senhores, aproximem-se às suas telonas e telinhas portáteis e observem, mais uma vez, a mulher do coração de pedra, que morre todo dia por não possuir um coração de carne, cuja condenação é sobreviver todo dia à mesma morte. Não, senhoras e senhores, não cubram horrorizados os olhos de seus filhos, pois esse nosso espetáculo grandioso é levado até vocês como uma preciosa lição cheia de moral para rapazes e raparigas, para adultos, crianças e idosos: uma mulher com uma pedra no lugar do coração só pode ganhar sua vida nesse fabuloso mundo do circo elétrico, graças aos seus olhares curiosos e suas generosas carteiras. Uma mulher com uma pedra no lugar do coração só pode viver morrendo por vocês, hoje, amanhã, pelo resto dos tempos.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
ANHANGUERA MON AMOUR: FRANCA NÃO É FRANÇA!


quarta-feira, 12 de agosto de 2009
ANHANGUERA MON AMOUR: ZOOLÓGICO GLOCAL
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
UM PEQUENO PASSO PARA A HUMANIDADE, UM PASSO GIGANTESCO PARA A FdP.

terça-feira, 4 de agosto de 2009
ANHANGUERA MON AMOUR: MICHELANGELO PERDIDO

Trata-se do QUINTO Prisão, denominado "JEFFERSON", e até poucas semana atrás estava bem visível na COFFEE AVENUE de Black Stream...